Falhei com Pitta porque não conhecia a mulher dele, diz Maluf

O ex-prefeito e candidato do PP se refere a Nicéa Pitta, que denunciou irregularidades na Prefeitura de SP

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

15 de agosto de 2008 | 13h15

O candidato do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, disse nesta sexta-feira, 15, não estar arrependido de ter escolhido Celso Pitta para sucedê-lo no comando da capital paulista, em 1996. Maluf afirmou que Pitta foi um bom secretário de Finanças e que São Paulo mostrou que não tem preconceitos ao eleger um "negro e carioca" para comandar a cidade. "Mas tenho que admitir que falhei na minha avaliação (de que ele seria bom prefeito) porque não conhecia a mulher dele", disse. Maluf se refere a Nicéa Pitta, que denunciou irregularidades na prefeitura à época, com a acusação de superfaturamento de obras e desvios de dinheiro.  Veja também:Marta precisa avisar o PT que é contra taxas, diz AlckminMarta diz 'taxas nunca mais' e critica Kassab por IPTUPerfil de Maluf Perfil de Marta Perfil de Alckmin Perfil de Ivan ValentePerfil de ReichmannPesquisa Ibope - São Paulo Guia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito   Durante a campanha de Pitta, em 2005, Maluf chegou a dizer: "Se ele não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim". Em outro momento, sem citar a Operação Satiagraha que resultou na prisão de Pitta, Maluf condenou a presença da Rede Globo com imagens exclusivas de prisões feitas pela Polícia Federal. "A gente precisa de mais responsabilidade no Judiciário porque estão passando informação. A Globo não estaria lá quando se efetuam prisões as 6 da manhã na casa das pessoas. Alguém vazou essa informação." Pitta ao ser preso na Satiagraha foi flagrado em sua casa de pijamas de madrugada.  Maluf participou de evento na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), zona oeste da capital paulista. Sobre as acusações que pesam sobre ele, o candidato do PP se limitou a citar um ditado árabe: "Nunca se explique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam". Já no início da palestra, ele ironizou os processos da Polícia Federal contra ele. "A minha vida pública é um livro aberto, foi esmiuçada por todo mundo. Meus telefones estão todos gravados, é por isso que eu uso quatro. Um para falar com a minha mulher, outro para os meus filhos, outro para falar de política e tem um quarto telefone, que a Polícia Federal sabe qual é, que naquele eu não falo nada", disse.  Questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual os candidatos com ficha suja podem concorrer nas eleições, Maluf falou de sua ficha: "Tenho 41 anos de vida pública. Fui processado muitas vezes, julgado e culpado nunca", disse. Na lista da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Maluf aparece como recordista em processos por improbidade administrativa, sete ao todo. Obras Durante sua exposição, o candidato do PP ressaltou as obras que fez em São Paulo em sua primeira gestão, de 1993 a 1997. "Não se anda um quilômetro nesta cidade sem uma obra que eu fiz", disse. Ao citar a proposta de alguns candidatos de construir mais metrô na cidade, ele afirmou: "Praticamente do metrô dessa cidade tem o meu suor. Se as pessoas falam 'precisa construir metrô' eu penso 'estão chamando o Paulo Maluf de volta". A crítica indireta aos seus oponentes, inclusive, fez parte de todo o discurso de Maluf. "Meus túneis não inundaram, meus piscinões funcionaram, minhas estradas não esburacaram, meus metrôs não desmoronaram", disse, arrancando risos da platéia. E completou: "Sem alusão a ninguém, claro". "Tem que fazer as obras com qualidade porque o recurso público tem que ter um custo-benefício, você não pode estar toda hora recapeando, fazendo coisas. (...) Eu quero dizer para vocês, que o Brasil melhorou muito, mas o Brasil tem pressa. O meu lema não é relaxa não, é pressa", continuou, fazendo alusão à frase de Marta Suplicy que gerou polêmica durante o caos aéreo, "relaxa e goza".  Na hora de apresentar propostas, Maluf manteve a linha já conhecida e falou de mais construções na cidade. A principal delas, a "primeira highway da América Latina", foi classificada por Maluf como a "a obra de sua vida". A idéia é mudar a angulação dos rios Tietê e Pinheiros e construir, no espaço que será criado a partir disso, mais seis faixas de tráfego.  Indagado sobre de onde viriam os recursos para as obras e como a realização delas seria controlada para que não houvesse corrupção, ele afirmou: "(O dinheiro) Virá do orçamento municipal. E quanto à corrupção, nós temos graças a Deus um Tribunal de Contas da União, um do Estado e o do município. São três tribunais de contas que tem que fazer essa auditoria, e eu confio neles". PSOL O candidato à Prefeitura pelo PSOL, Ivan Valente, também participou do evento, além de Renato Reichmann, do PMN. Ao apresentar suas propostas, Valente defendeu que a prioridade no governo tem que ser "universalizar direitos, distribuir renda e garantir cidadania plena a todos". Ele defendeu que se faça justiça fiscal na cidade, mas sem aumentar a carga tributária. A forma de se fazer isso, segundo ele, seria cobrando-se as dívidas dos devedores da Prefeitura, de R$ 28 bilhões.  Ele criticou ainda a redução da porcentagem do orçamento municipal direcionada à educação, de 30% para 25%, feita, segundo Valente, pelo governo de Marta Suplicy (PT). "Tínhamos avançado nessa área e então diminuiu-se o porcentual", afirmou.  Já Reichmann, que expôs por cerca de 40 minutos suas propostas aos alunos da FAAP, ressaltou sua prioridade em educação. "Na minha lista de prioridades, em primeiro lugar vem educação, em segundo educação, e em terceiro educação também", disse. Ele afirmou que, se eleito, pretende contratar 24 mil professores apenas no primeiro ano de governo e instituir o ensino integral nas escolas públicas da cidade.

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