Falcão vê 'politização da Justiça' no mensalão

Presidente do PT critica STF por marcar julgamento perto das eleições, mas diz acreditar que, 'segundo os autos, não há base para condenação'

EDUARDO BRESCIANI , BRUNO BOGHOSSIAN , AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2012 | 03h02

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, atribuiu ontem a uma "politização da Justiça" a escolha do Supremo Tribunal Federal por realizar o julgamento do mensalão em agosto, em plena época de campanha eleitoral. "Não tenho notícia de julgamentos importantes realizados em períodos eleitorais. Podia ser feito antes ou depois das eleições. Não há nenhuma prescrição se fosse depois das eleições."

E acrescentou que, se o julgamento se basear nos autos, não deverá haver condenação. "A minha expectativa é que os ministros do STF julguem segundo os autos. Fazendo desta forma, não há base para condenação", disse Falcão.

As declarações do presidente nacional do PT vêm se juntar às do novo presidente da CUT, Vagner Freitas, que toma posse nesta semana. Ele afirmou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que a central sindical pretende ir às ruas caso haja um "julgamento político". Num discurso no mês passado, o ex-ministro José Dirceu, réu no processo, conclamou estudantes ligados à UNE a sair às ruas a fim de defendê-lo politicamente durante o julgamento.

Falcão esteve ontem em Brasília, no Congresso Nacional, em visita ao presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), para agradecer o apoio do aliado a Patrus Ananias, candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte. O PMDB tirou o deputado Leonardo Quintão da disputa e indicou Aloisio Vasconcellos para vice.

O petista acusou de traição o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ao comentar o fim da aliança com o PT na capital mineira, mas afirmou que não há rompimento com o PSB em nível nacional. Para ele, não houve "ação deliberada" do partido aliado ao se afastar do PT na disputa em algumas das principais capitais. "Eu disse sempre que não há rompimento com o PSB. Temos alianças em várias cidades, capitais inclusive. Em Belo Horizonte, o prefeito rompeu a palavra, traiu um compromisso, mas isso não dá para atribuir como se fosse uma política nacional do PSB", afirmou.

Sobre o jantar que a presidente Dilma Rousseff teve na noite anterior com o presidente do PSB, o governador Eduardo Campos (PE), para reafirmar o compromisso nacional entre os dois partidos, Falcão declarou que Campos deve ter ido "se explicar" para Dilma sobre o rompimento em Belo Horizonte.

CPI. Também ontem, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, acusou o PT de utilizar a CPI do Cachoeira como instrumento político contra partidos de oposição. O tucano reagiu à convocação pela comissão do engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que foi diretor do departamento de estradas do Estado quando Serra era governador. "A CPI está sendo utilizada como instrumento político. É tipicamente petista: usar um aparato de Estado para oprimir e hostilizar adversários", disse Serra.

Souza foi convocado a fim de falar sobre contratos entre o governo paulista e a construtora Delta. Serra afirmou que não há irregularidades em obras da empreiteira. "Meu governo não tem nada, nada a esconder", disse.

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