Falcão diz que partido aceitaria ministro da Fazenda de fora da sigla

Presidente do PT, contudo, deixou claro que nome deve manter a 'linha geral' da política econômica adotada pelo governo

Carla Araújo e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 16h53

 São Paulo - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou na tarde desta segunda-feira, 27, que o partido aceitaria uma indicação para o Ministério da Fazenda que não fizesse parte do quadro da sigla, "desde que a linha geral da política econômica, tal como vem sendo praticada, seja mantida", disse. O petista, contudo, evitou comentar se já havia falado com a presidente sobre o assunto.

"É natural que a gente seja ouvido. Se for um quadro preparado e leal ao programa de governo que a maioria do povo aprovou, não haveria restrição a isso", afirmou. Falcão disse ainda que não conversou com a presidente reeleita Dilma Rousseff sobre eventuais nomes para o próximo governo e que não sabe se ela fará ou não sinalizações ao mercado financeiro. "Não conversei com ela a esse respeito ontem e não sei se fará um tipo de sinalização antes de concluir esse mandato", disse, em coletiva de imprensa em São Paulo. 

Rui negou ter implicância com o mercado financeiro, mas ressaltou que o governo tem prioridades com outros mercados como o consumidor e o de trabalho. "Não é verdade que não gosto do mercado financeiro, o que digo é que não podemos nos pautar pelo mercado financeiro, temos que ver um mercado mais amplo, que é o mercado de consumo nacional, que cresceu no nosso governo", afirmou. 

Rui disse ainda que, como presidente do partido, sempre vai preferir um nome ligado à sigla, mas ponderou que há uma separação entre Estado e partido. "Há muito tempo criamos uma diferenciação entre o que é partido e o que governo. O partido não manda no governo e o governo não controla o partido", ressaltou. 

O presidente do PT afirmou que a presidente Dilma já sinalizou que se esforçará com "todo empenho" para que a economia volte a crescer em padrões compatíveis com as vizinhanças nacionais e que vai continuar trabalhando para conter a inflação. "Ela fará um combate implacável para manter a inflação sob controle", afirmou, ressaltando que terá os mesmos parâmetros para manter o emprego e a renda.

Futuro. Rui negou que tenha sido convidado para integrar o governo Dilma e disse que, se fosse chamado para assumir um ministério, não aceitaria. "De minha parte posso assegurar que não (será ministro), não fui convidado. E se fosse, não deixaria a presidência do PT para assumir cargo no governo, ainda tenho três anos de mandato", afirmou.

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