FAB mapeia e destrói pistas na Amazônia

Pontos de pouso e decolagem em reservas indígenas servem a garimpeiros e traficantes

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h05

Aviões Super Tucano do Esquadrão Escorpião, da base aérea de Boa Vista, vão bombardear hoje duas pistas clandestinas de pouso e decolagem localizadas pela Operação Ágata 4, na Amazônia.

A Força Aérea identificou e mapeou dez pistas ilegais - todas em reservas indígenas, dentro do Estado de Rondônia. As duas mais movimentadas, ou que apresentam fator de risco, serão destruídas na ação desta manhã.

As pistas clandestinas servem principalmente a garimpeiros. A inteligência da Polícia Federal sustenta que traficantes de drogas e contrabandistas de armas também utilizam as faixas, algumas das quais são bem conservadas e medem 1.500 metros.

Ontem, os aviões estavam sendo preparados, recebendo bombas livres de 2,2 metros e 230 quilos, carregadas com 87 quilos de trotil - poderoso explosivo cuja onda de choque se expande a 6.900 metros por segundo. A Aeronáutica adota um padrão para esse tipo de missão: quatro caças e mais um ou dois helicópteros para monitorar o bombardeio.

A neutralização dos pontos de apoio para aeronaves ilícitas já foi executada pelos pilotos do Esquadrão Escorpião. Em agosto de 2011 o time interditou, com oito bombas, um aeródromo fora da lei a 68,5 km de São Gabriel da Cachoeira (AM).

A Ágata 4 foi iniciada há uma semana e envolve cerca de 9 mil militares da Aeronáutica, da Marinha e do Exército. A área coberta é de 5,5 mil quilômetros, da foz do Rio Oiapoque, na linha de divisa com a Guiana Francesa, até o município de Cucuí, no Amazonas. O Comando Militar da Amazônia (CMA), de Manaus, chefia todo o procedimento.

Hospital e piratas. A Aeronáutica mobilizou um hospital de campanha e, pela primeira vez, montou os módulos a bordo de uma balsa. A embarcação é grande, mede 65,5 metros de comprimento por 15,5 metros de largura. Está percorrendo o Rio Negro para atender as populações ribeirinhas de Barcelos e Moura.

Nos três dias desde a chegada, foram feitos pouco mais de 700 atendimentos realizados por 38 especialistas. Os medicamentos prescritos são distribuídos aos pacientes porque não há farmácias em Moura. O posto de distribuição mais próximo fica a 12 horas de viagem de barco.

Segundo o general Eduardo Vilas Boas, comandante do CMA, a Operação Ágata 4 invadiu um ponto de garimpo ilegal que funcionava à beira do Rio Mucajaí, em Homoxi, área destinada à etnia indígena ianomâmi. Havia sete pessoas no local. Todas foram detidas e as balsas, que serviam ao grupo, desmanteladas. Os garimpeiros são conhecidos como "piratas do rio". Um segundo núcleo, especializado em extração de cobre, está sendo procurado.

Estão envolvidos nas missões, 20 diferentes agências do governo. A Aeronáutica dá apoio à Anac na tarefa de fiscalizar aeroportos, empresas e pilotos civis.

Em uma pista no Baixo Mucajaí foram avistadas duas aeronaves da empresa Roraima Táxi Aéreo - que teve a licença de funcionamento cassada há dois meses.

O vice-presidente, Michel Temer, e o ministro da Defesa, Celso Amorim, vão visitar pontos da Ágata 4 nos dias 14 e 15. No centro de comando há observadores e agentes de segurança convidados de quatro países (Venezuela, Suriname, Guiana e França), consequência das atividades na fronteira com a Guiana Francesa.

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