Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Exposição de Bolsonaro foi negativa para sua imagem, diz analista sobre Ibope

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, ainda não é possível saber se candidato do PSL será afetado a ponto de ficar fora do segundo turno

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 11h33

A exposição do candidato do PSL ao Planalto nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, nesses primeiros 15 dias de campanha não fizeram bem para o postulante ao cargo máximo do governo brasileiro, avalia o cientista político e sócio da Tendências Consultoria Rafael Cortez, com base nos dados do último levantamento Ibope, divulgado nesta quarta, 5. "A exposição de Bolsonaro é negativa para sua imagem. O que não está resolvido é se esse movimento vai retirar ele do segundo turno. Mas é bem provável que ele não ganhe se chegar lá. O melhor termômetro para isso é o desempenho de Fernando Haddad contra ele, que agora está próximo da margem de erro", avaliou o especialista.

No Ibope de ontem, uma das simulações de segundo turno mostrou Bolsonaro tecnicamente empatado com Haddad/PT (36% para o ex-prefeito, 37% para o deputado). Ao se comparar com pesquisa mais próxima com igual cenário, o Datafolha divulgado em 22 de agosto, Haddad perdia para Bolsonaro por 29% a 38%. "O avanço de Haddad ante Bolsonaro é o melhor termômetro de que a exposição de Bolsonaro foi negativa para sua imagem. O custo da estratégia de mobilizar o eleitorado a partir da preferências muito intensas, porém extremadas, vai se materializando. Esses nomes conseguem se transferir para segundo turno em momentos de transição, mas dificilmente se tornam uma hegemonia", disse, citando a derrota de Marine Le Pen, na França, como exemplo. Cortez acrescentou ainda que o PT não fez grandes mobilizações na sua campanha que justificassem tamanha aproximação de Haddad.

O especialista pontuou também que, diferentemente de alguns candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), Bolsonaro não dispõe de outras ferramentas além das redes sociais para tentar atingir outro público senão o que ele já dialoga. "O fato é que como ele não tem outros instrumentos alternativos por causa do personalismo de sua campanha, o efeito eleitoral dele vai gerando um limite na dificuldade de divulgação com outro eleitor. A ausência do tempo de TV reduz a possibilidade de ele agregar outros elementos à sua imagem".

Na pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Bolsonaro aparece com 22% das intenções de voto e segue na liderança da corrida presidencial. O candidato Ciro Gomes (PDT) subiu três pontos, de 9% para 12%, e empatou numericamente com Marina Silva (Rede), que manteve o patamar do levantamento anterior, divulgado no dia 20. Bolsonaro apareceu com rejeição de 44%. Nesta quinta, o candidato disse não ter entendido o levantamento, questionando o aumento de sua rejeição.

Brancos e nulos recuaram para 21%, ante 29% em levantamento anterior do Ibope. "Como Bolsonaro é um nome de rejeição mais alta, dificilmente esse voto branco ou nulo vai para o candidato que é mais rejeitado. Temos também a questão de gênero. Pela primeira vez a gente tem diferenças significativas de gênero no comportamento eleitoral. Essa rejeição alta é muito explicada pelas mulheres", acrescentou Cortez. 

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