Explicações de pedetista não convencem Planalto

O Planalto considerou "inconsistentes" as explicações do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, à revelação de que franqueou os gabinetes da pasta à ação de lobistas que negociam a emissão de registro sindical. Reportagem do Estado mostrou ontem que ex-funcionários operam dentro do ministério negociando facilidades.

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h01

"O Ministério ou o ministro tem de se manifestar", disse um auxiliar da presidente Dilma Rousseff ao lembrar que tráfico de influência é um problema "grave". A avaliação de assessores da presidente é de que não se pode deixar a revelação sem uma resposta cabal, com justificativas que se sustentem.

Irritou o Palácio do Planalto a explicação superficial oferecida pela assessoria de Lupi. Segundo a pasta, o "ministério não dispõe de informações sobre a vida profissional de prestadores de serviços contratados por empresas interpostas".

Na avaliação de auxiliares de Dilma, Lupi está seguindo, neste momento, trajetória idêntica à do ministro Orlando Silva, que deixou o Ministério do Esporte há duas semanas.

Integrantes da equipe da presidente reconhecem que Lupi está resistindo e contra-atacando, mas acham também que o cerco está se fechando com o surgimento, dia após dia, de denúncias que se aproximam da figura do ministro. Até agora, o grande trunfo de Lupi era que as denúncias não o afetavam diretamente.

Avião. No fim de semana, a revista Veja, por exemplo, publicou reportagem mostrando que Lupi voara, para percorrer o interior do Maranhão, em um avião providenciado por uma ONG com contratos suspeitos pelo ministério.

Outro sinal de que as coisas não andam bem para Lupi é que não há ninguém no Planalto que apareça publicamente defendo-o das acusações. A própria presidente Dilma, que fez isso nos episódios anteriores, desta vez, com Lupi, preferiu ironizar aos ser questionada se ele ainda tinha a confiança dela ou se ele estava seguro no cargo.

Ela disse que não responderia a perguntas sobre o caso e quase encerrou a entrevista coletiva concedida depois da sanção da lei que alterava o Supersimples, na quinta-feira, quando os jornalistas insistiram se ela não ia fazer uma defesa pública dele, como fez dos outros ministros. "Vamos, vamos... Além disso, o que mais que a gente quer conversar?", desconversou a presidente, depois de dizer que este assunto era "passado". A irritação de Dilma já atingira este nível antes mesmo da revelação de Veja e do Estado.

Neste momento, a intenção da presidente Dilma é evitar que um novo ministro deixe o governo, para não ser pautada, mais uma vez, pela imprensa. Mas, na mesma entrevista, avisou que lia tudo que os jornalistas publicavam.

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