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Exército abre processo administrativo contra tenente-coronel vice de Crivella

Estatuto dos militares proíbe ‘uso de uniformes’ em manifestação político-partidária; Andréa Firmo fez uso da farda em santinho da campanha

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 20h53

BRASÍLIA – O Exército abriu um processo administrativo contra a tenente-coronel Andréa Firmo (Republicanos), candidata a vice na chapa do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta a reeleição. O motivo é um santinho da campanha em que a militar aparece vestida com uma farda camuflada e uma boina azul das Nações Unidas (ONU).

O “uso de uniformes” em manifestação político-partidária é proibido pelo artigo 77 do Estatuto dos Militares e considerada uma “transgressão” pelo Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), com punições, dependendo do caso, que vão de advertência a detenção.

A divulgação das imagens de Firmo fardada ao lado de Crivella e do presidente Jair Bolsonaro gerou reações negativas nas Forças Armadas. Após o episódio, o Comando do Exército encaminhou uma mensagem à rede interna orientando comandantes em todo o País a terem “especial atenção” para a fiel observância da lei em casos de campanha eleitoral. 

A ideia é que as diversas cadeias de comando no Exército redobrem a atenção e tenham “um olhar mais atento” para o cumprimento não só do Estatuto dos Militares e do RDE, mas também da portaria emitida em julho do ano passado, que trata do comportamento dos militares nas mídias sociais. A medida, adotada sob a justificativa de “preservar a imagem da instituição”, proíbe militares de informarem as suas patentes em redes sociais pessoais e orienta oficiais e soldados a não vincular ações da instituição em suas contas pessoais.

No caso da candidata a vice de Crivella, que está na ativa e é lotada no Centro de Idiomas do Exército (CIDEx), no Rio de Janeiro, um processo administrativo foi aberto para averiguar a sua efetiva participação na elaboração do “santinho” com a sua foto fardada.

Questionado sobre a foto, o Centro de Comunicação Social do Exército informou que, “de acordo com o Estatuto dos Militares, é vedado ao militar o uso dos uniformes em manifestação de caráter político-partidária”. Segundo informou a assessoria da Força, o caso de Firmo “está sendo tratado, inicialmente, na esfera administrativa”.

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Embora na ativa, a tenente-coronel pediu licença para se candidatar e, no momento, está agregada, ou seja, fora do Exército. Mesmo assim, o entendimento de integrantes da Força consultados pelo Estadão é de que ela não poderia ter sua imagem fardada publicada em material de campanha. Ela poderá ser reintegrada caso não seja eleita.

De forma reservada, generais afirmaram à reportagem que esse tipo de comportamento adotado por Firmo não é aceito internamente, pois configura uma tentativa de se associar à credibilidade da instituição.

A tenente-coronel Andrea Firmou foi a primeira mulher do Exército a ser comandante em uma missão de paz na ONU. Ela chefiou por quase um ano, entre 2018 e 2019, a base de observadores militares no deserto do Saara.

Procurada pelo Estadão, a campanha de Crivella informou que não há qualquer símbolo do Exército na imagem divulgada. “Causa surpresa que justo ela seja a única questionada sobre isso, enquanto há vários candidatos utilizando até imagem do vice-presidente da República fardado. A candidata age dentro do princípio da legalidade e da moralidade, conforme outros representantes que aparecem, esses sim, com a farda de Forças Auxiliares e até mesmo general de Forças Armadas. Ela é uma representante da Pátria e sente-se honrada por isso”, diz a nota.

 

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