Executivo confirma reunião de cartel em escritório de lobista

Um dos dois executivos alemães da Siemens que assinaram o acordo de leniência com o Cade admitiu ontem, em depoimento no Ministério Público, que representantes da multinacional alemã e de outras empresas acusadas de integrar o cartel no Metrô e na CPTM se reuniram no escritório do lobista Arthur Teixeira para tratar sobre uma licitação para fornecimento de trens da Série 3000. Teixeira é apontado como intermediador do cartel delatado pela Siemens e investigado por envolvimento em suposto esquema de pagamento de propinas.

Fausto Macedo, Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2013 | 02h06

O depoimento reforça suspeita dos investigadores de que Teixeira era o elo entre as empresas e duas offshores uruguaias por meio das quais a propina seria paga. Na investigação da Justiça da Alemanha sobre a Siemens, a procuradoria alemã constatou que o dinheiro enviado ao Brasil entrava no País por meio de contas abertas no Uruguai.

Em Montevidéu, consultorias recebiam o dinheiro da Siemens, antes de transferir os recursos para as contas dos brasileiros.

O executivo não revelou detalhes sobre propinas para agentes públicos. Alegou desconhecer que tenha havido pagamentos de valores ilícitos. Ele depôs com base no Provimento 32 do Tribunal de Justiça, que garante sigilo sobre o relato e sua identidade.

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