Ex-vice do BB recorre ao MP para saber quem violou seu sigilo

Allan Toledo, citado por 'movimentação atípica', rejeita conclusão de auditoria que inocenta o banco no episódio

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2012 | 03h04

O ex-vice presidente da área internacional do Banco do Brasil, Allan Toledo Simões, não aceita a conclusão da auditoria do BB segundo a qual a instituição financeira não foi responsável pela violação de seu sigilo bancário. Por meio dos advogados José Roberto Batochio e Guilherme Octávio Batochio, criminalistas, ele requereu ao Ministério Público Estadual em São Paulo investigação para identificar quem acessou sua movimentação financeira, em fevereiro.

O pedido de investigação foi protocolado dia 27 de março. A quebra de sigilo mostrou R$ 953 mil em uma conta de Toledo. Ele sustenta que o dinheiro é relativo à venda de um imóvel de sua mãe, Liu Mara Fosca Zerey, situado na Vila Olímpia.

No requerimento ao Ministério Público, os advogados juntam documentos que comprovam a venda da casa e uma carta apócrifa que relata como teria ocorrido o vazamento. "Estão tramando contra seu cliente Allan Toledo", diz a carta. Segundo o texto, "descoberto o funcionário que cometeu o crime, foi também identificado que o mesmo é um sujeito com costas quentes, apadrinhado por um vice-presidente". O autor da carta diz que recebeu "ordem superior para sombrear os indevidos acessos à conta corrente (de Toledo), apagando todos os passos anteriores".

Os advogados também anexaram cópia de e-mail de integrante da gerência de divisão de segurança do BB endereçado à agência do BB em São Paulo onde era mantida conta da mãe de Toledo - agência 4854-2, em Moema, zona Sul. No e-mail, a pessoa que se identifica como Carlos César L. Dias escreve para Rita de Cássia Lopes. O assunto: "tratamento de ocorrências". "Rita, estamos providenciando análise de ocorrência do DLD envolvendo a cliente MCI e preciso conversar contigo, mas não estou conseguindo contato telefônico. Você poderia me ligar? Aguardo seu retorno o mais breve possível."

Indício. Para José Roberto Batochio, a correspondência eletrônica é indício de que o vazamento de dados de Toledo ocorreu dentro do BB. A "cliente MCI" é Liu Mara. "Por que uma pessoa da segurança do BB estava querendo bisbilhotar a conta da sra. Liu Mara?", questiona o criminalista. "A veracidade das informações poderá ser facilmente comprovada com requisição de cópia da correspondência eletrônica e de conversas telefônicas mantidas entre funcionários do BB, que ficam registradas, para segurança interna, na base de dados da instituição."

Allan Toledo saiu da instituição em dezembro de 2011 sob suspeita de integrar movimento para desestabilizar o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Quando seu nome foi vinculado a suposta movimentação financeira atípica, ele declarou: "É uma guerra que não é minha. Estou sendo usado como laranja para atingir a presidência do BB ou a presidência da Previ." Ele trabalhou no BB por 30 anos.

A auditoria do BB concluiu que a instituição não foi responsável pela quebra de sigilo. A conclusão foi apresentada segunda-feira na reunião do Conselho de Administração do banco. Os auditores não identificaram fato que comprove acesso indevido às informações ou violação do sigilo, pois todos os acessos à conta foram compatíveis com as funções e atividades dos funcionários responsáveis.

"Eu não acredito nessa conclusão", diz José Roberto Batochio. "Aliás, eu não esperava outra coisa. Jamais supus que o BB fosse admitir 'quebramos o sigilo bancário'. A conclusão está no script."

Em nota oficial, o BB informa que "não identificou qualquer fato que comprove ou evidencie acesso indevido a informações ou violação do sigilo bancário em questão". Segundo o BB, "os acessos aos dados foram compatíveis com funções e atividades dos funcionários responsáveis pelo relacionamento bancário". A instituição considera que a atuação de Carlos Dias, da área de segurança, está dentro desses acessos devidos e regulamentares. / FAUSTO MACEDO

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