Ex-presidente dá o tom de discurso tucano para 2014

FHC critica petistas por causa de escândalos, cita baixo crescimento e afirma que foi o PSDB que modernizou o País

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2012 | 02h10

Além de lançar o nome do senador mineiro Aécio Neves para o Palácio do Planalto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu ontem o tom do discurso que a oposição vai fazer daqui para a frente. Ele disse que o PSDB precisa ir às ruas ouvir a população e mostrar que é muito diferente do PT, principalmente nas questões morais e éticas. FHC referiu-se de forma direta ao escândalo do mensalão, ocorrido em 2005, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e à Operação Porto Seguro da Polícia Federal, que desbaratou uma quadrilha que vendia pareceres técnicos e tinha ramificações no escritório da Presidência em São Paulo e nos órgãos reguladores do governo federal.

O tucano disse que os petistas que estão sendo condenados a penas duras pelo Supremo Tribunal Federal tentam vender a imagem de que não fizeram nada de errado, e que estariam cumprindo uma missão partidária. "Estão sendo condenados por crimes que cometeram no presente. Ninguém está sendo condenado pelo passado. Na cabeça deles podem estar cumprindo uma missão. Na nossa não. Por isso é que nós somos diferentes do PT".

Citando a Operação Porto Seguro, que resultou na demissão de Rosemary Noronha da representação da Presidência em São Paulo, e dos irmãos Paulo e Rubens Vieira das agências de Águas e Aviação Civil, o ex-presidente acusou o PT de ter aparelhado os órgãos reguladores. "Quando assumiu, Lula disse que eu tinha terceirizado a administração, por ter criado as agências reguladoras. O que fiz foi criar órgãos independentes para a fiscalização. Mas o PT não aceitou essa independência e aparelhou as agências", disse. "As agências estão carcomidas. Foram divididas entre os partidos. Deu no que deu."

Aécio embarcou nas críticas do ex-presidente e também atacou o PT. "O PT abdicou de ter um projeto reformador para o País e ficou com um projeto de poder. Com isso, o partido criou um quadro degradante que envergonha a todos nós", disse.

FHC também criticou o baixo crescimento da economia. "O nosso PIB é um PIB pigmeu." Para ele, o governo atual se equivoca quando diz que levou cerca de 30 milhões de pessoas para a classe média. "Eu estudei os documentos feitos pela Secretaria de Assuntos Estratégicos. Houve efetivamente uma modificação grande no fluxo de renda. Mas uma coisa é renda e outra é classe social. Por enquanto, segmentos em formação, passam de um momento de escassez para o consumo." A mudança no fluxo de renda, segundo FHC, é de responsabilidade do PSDB. "Nós modernizamos o Brasil, integramos o País na economia global", afirmou o ex-presidente.

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