O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h08

Assim como o PR, de Valdemar Costa Neto, e o PP, de Paulo Maluf, o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, trabalha em duas frentes na disputa de 2014: o alinhamento com o PT na reeleição de Dilma Rousseff, em Brasília, e o reenlace com o PSDB de Geraldo Alckmin, em São Paulo. O discurso público, porém, segue outra lógica, a do despiste: a retórica aponta em uma direção, enquanto a movimentação nos bastidores segue outra.

Ontem, Kassab disse que, antes de 2014, o PSD não embarcará no governo Dilma. Afirmou também que, se houver um ministério para o partido no curto prazo, será da cota da presidente - o vice-governador Guilherme Afif Domingos, por exemplo, seria uma escolha "pessoal" dela. Dessa maneira, o PSD, que na realidade ficou insatisfeito com as ofertas feitas pela Presidência - o partido chegou a almejar Transportes ou Cidades -, vende a ideia de que será independente. E tenta, assim, se descolar do estigma da negociata peemedebista, citada pelos líderes do PSD como exemplo a evitar.

Recentemente, o ex-prefeito também passou a dizer que será candidato a governador no ano que vem. Nos bastidores, o partido de Kassab já pediu a vice de Alckmin, com quem o ex-prefeito esteve no final do ano passado em uma conversa de aproximação no Palácio dos Bandeirantes. Kassab quer, assim, reeditar a mesma estratégia de 2004, quando foi vice de José Serra, caminho que o levou à Prefeitura. Na ocasião, o ex-prefeito também falava que o PFL, seu partido, teria candidato próprio. Mas, nos bastidores, trabalhava pela aliança com o PSDB. "Um dia quero ser vice, mas não agora", afirmou em junho de 2004, três dias antes de ser indicado oficialmente candidato ao cargo pelo PFL.

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