Ex-ministros negam reuniões com Valério; instituto não comenta

Advogado de José Dirceu afirma que relatos de empresário 'não tem qualquer procedência'

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h06

O criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende José Dirceu, repudiou com veemência a menção ao nome do ex-ministro da Casa Civil no novo depoimento de Marcos Valério. O criminalista José Roberto Batochio, advogado do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, também negou que seu cliente tenha participado das reuniões no Planalto citadas pelo empresário à Procuradoria-Geral da República. O Instituto Lula não comentou o caso. Procurado, Freud Godoy também não se manifestou.

"A prova testemunhal e documental produzida na Ação Penal 470 (mensalão) demonstrou de maneira cabal que a nova declaração de Marcos Valério não tem qualquer procedência", afirmou Oliveira Lima. "O ex-ministro José Dirceu jamais se reuniu com Marcos Valério, com o ex-presidente Lula e Delúbio Soares no Palácio do Planalto, bem como nunca conversou qualquer assunto com ele (Valério), muito menos a respeito de financiamentos de campanhas", disse.

O criminalista concluiu: "José Dirceu jamais foi ameaçado por Ronan Maria Pinto. A quebra do sigilo fiscal e telefônico do ex-ministro deixou patente a ausência de relação com Marcos Valério".

"Antonio Palocci repele com indignação do mais alto grau esta afirmação (de Valério), uma vez que tais fatos jamais existiram", disse Batochio. O advogado "nega peremptoriamente esses contatos e essas falsas reuniões."

Em viagem. Convidados de honra do governo da França, Lula e a presidente Dilma Rousseff se reuniram ontem, em Paris, para um almoço cercado de sigilo. O encontro aconteceu a portas fechadas, supostamente sem a presença de assessores, na véspera do início da visita de Estado da brasileira, que desfilará hoje pelas ruas da capital francesa.

O encontro aconteceu às 12h40, quando Lula chegou ao hotel Bristol, no centro, onde a delegação da Presidência está hospedada. O ex-presidente entrou por uma porta alternativa, fugindo do assédio da imprensa brasileira, que se concentrava na entrada principal. O almoço terminou por volta de 15h20, quando o ex-presidente deixou o hotel, mais uma vez sem falar aos jornalistas.

O encontro não constava da agenda oficial de Dilma e de Lula e não foi divulgado com antecedência nem pela Presidência, nem pelo Instituto Lula. Questionado pelos jornalistas, Thomas Traumann, porta-voz do Palácio do Planalto, não informou o teor da conversa, tampouco os assessores que acompanham o ex-presidente, Paulo Okamotto, Paulo Vanucchi e Luiz Dulci, se pronunciaram sobre a reunião. Questionado sobre o estado de espírito do ex-presidente em relação ao escândalo envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, limitou-se a dizer: "O presidente Lula é um guerreiro".

Ao longo do dia, Mercadante, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e o secretário especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, deixaram o hotel e visitaram uma livraria. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, teve reuniões com autoridades francesas, assim como o ministro da Defesa, Celso Amorim. Guido Mantega, ministro da Fazenda, Maria das Graças Foster, presidente da Petrobrás, e o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, não deram entrevistas. /COLABOROU ANDREI NETTO, DE PARIS

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