EX-MINISTROS DE FHC E DILMA REPRODUZEM POLARIZAÇÃO

Disputa ao governo em Minas Gerais opõe tucano Pimenta da Veiga a petista Pimentel no Estado de Aécio e da presidente

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

27 Junho 2014 | 22h53

Terra natal da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB), que vão se enfrentar na disputa pelo Palácio do Planalto, Minas Gerais será este ano o palco da polarizada briga entre tucanos e petistas que domina o cenário político do País há 20 anos.

No segundo maior colégio eleitoral brasileiro, com 15,2 milhões de votos, o PT vislumbra, pela primeira vez, a possibilidade de assumir o Palácio Tiradentes. O PSDB, por sua vez, tenta manter a hegemonia iniciada em 2003 com Aécio e garantir ao agora candidato tucano à Presidência uma boa vantagem sobre a presidente no Estado.

O ex-ministro da gestão Dilma Fernando Pimentel será o candidato do PT ao governo. O também ex-ministro Pimenta da Veiga, após um período de dez anos fora da política, foi escolhido por Aécio como nome do PSDB.

O PSB decidiu lançar o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado ao governo mineiro para dar suporte à campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos (PE). A pressão pela candidatura própria partiu da Rede Sustentabilidade, grupo político da ex-ministra Marina Silva, candidata a vice na chapa de Campos. Tarcísio é pai do deputado federal Júlio Delgado, presidente do PSB-MG. A parte majoritária do diretório estadual defendia o apoio ao candidato tucano. 

As pesquisas de intenção de voto divulgadas na imprensa local até junho apontam vantagem de Pimentel, com possibilidade de vitória em primeiro turno, mas os candidatos têm o desafio de conquistar os cerca de 40% do eleitorado que estão indecisos ou declaram votos em branco ou nulo em qualquer cenário apresentado nos levantamentos. 

Compõem também o quadro de postulantes ao governo outros cinco candidatos: André Alves (PHS), Cleide Donária (PCO), Eduardo Ferreira (PSDC), Fidélis (PSOL) e Professor Tulio Lopes (PCB).

Alianças. A partir de uma ampla base aliada ao governo mineiro, a candidatura de Pimenta da Veiga fechou uma coligação com 14 partidos (PP, DEM, PSD, PTB, PPS, PV, PDT, PR, PMN, PSC, PSL, PTC, PTN e Solidariedade, além do PSDB). Parte dessas legendas faz parte da base do governo federal. O PT estará aliado ao PMDB, PROS, PC do B e PRB. 

“É um cenário de uma eleição polarizada de fato, onde as principais forças políticas do Estado já têm seu campo definido. A diferença é que, agora, estamos entrando no campo eleitoral com uma vantagem maior em relação ao nosso adversário. Estamos começando com um potencial equivalente ao que foi a chegada na eleição passada”, afirmou o candidato petista, referindo-se ao porcentual (34%) dos votos que o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), aliado ao PT, alcançou na disputa passada. 

Em 2010, Costa também iniciou a campanha com vantagem nas pesquisas, mas foi ultrapassado e Antonio Anastasia (PSDB), com apoio de Aécio, venceu a disputa no primeiro turno, com 63% dos votos. Anastasia será o candidato ao Senado na chapa majoritária tucana. Aécio também foi eleito e reeleito (em 2002 e em 2006) no primeiro turno. 

“Pelos apoios que temos recebido, estamos plenamente convictos de que sairemos vitoriosos”, disse Pimenta da Veiga. Afastado da política há dez anos, período em que morou em Brasília, Pimenta da Veiga – ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro das Comunicações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – já percorreu mais de 100 cidades do Estado para se tornar conhecido do eleitorado. 

“Trabalhei em meu escritório de advocacia, mas nunca estive afastado de Minas. Minhas vindas ao Estado foram quase semanais. Estou reforçando minha presença e os resultados têm sido bastante positivos”, afirmou. 

O PSDB estadual monitora os efeitos que o mensalão mineiro pode ter sobre a campanha de Pimenta da Veiga, principalmente se o ex-deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB) for julgado no período eleitoral. Este ano, o ex-ministro foi indiciado pela Polícia Federal em inquérito que apura o repasse de R$ 300 mil, em 2003, de uma agência de publicidade de Marcos Valério Fernandes de Souza. Pimenta da Veiga disse que o pagamento foi por serviços de advocacia prestados na época e classificou o indiciamento como perseguição política.

O petista Pimentel confia numa “variável” desta eleição estadual: a presença menos frequente de Aécio em Minas. Segundo ele, em 2010 “o recém-saído governador Aécio Neves tinha uma presença muito significativa no cenário político do Estado”. “Agora ele (Aécio) é candidato a presidente. Tem que pedir voto, fazer campanha para ele mesmo. As forças presentes na disputa se equivalem”, disse, em referência ao apoio de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura. 

Como parte de sua estratégia eleitoral, Pimentel deve ressaltar a aliança firmada com o ex-governador tucano na eleição municipal de 2008 que elegeu Marcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte. 

“Os mineiros já sabem de qual lado estamos. O crescimento da preferência do eleitorado por Aécio contribuirá para nossa vitória”, reagiu Pimenta da Veiga. 

Dívida. Um dos principais desafios do próximo governador de Minas será lidar com a dívida do Estado, que cresce em velocidade bem maior que o montante arrecadado pelo Executivo estadual. Embora as gestões Aécio/Anastasia apregoem o chamado “choque de gestão” no Estado, a dívida consolidada líquida de Minas fechou 2013 em R$ 79,11 bilhões, a segunda maior do País, atrás apenas de São Paulo. O valor é maior que a previsão de toda a arrecadação em 2014 (R$ 75 bilhões) e equivale a 183,38% da Receita Corrente Líquida, que encerrou 2013 em R$ 43,14 bilhões. 

O crescimento da dívida foi de 12,27% em relação a 2012, enquanto a Receita Corrente Líquida cresceu 6,86%. A União é a maior credora do Estado, que já atingiu 11,4% do comprometimento do orçamento com encargos da dívida, dentro de um limite de 11,5%. 

Segundo Pimentel, o crescimento da dívida é resultado de “opção” do governo mineiro. “O governo (federal) deu autorização para novos financiamentos. Ele (Executivo mineiro) optou por sobrepor aos já existentes”, disse. 

Para Pimenta da Veiga, a questão só será resolvida com a “repartição dos recursos da União”. “Hoje, 70% das rendas públicas servem para custear um governo federal perdulário, enquanto Estados e municípios ficam sacrificados. Com a eleição do senador Aécio Neves, tudo será mais fácil.”

Texto atualizado em 18.07

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Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

27 Junho 2014 | 23h04

Há um ano, as ruas de Belo Horizonte foram tomadas por cerca de 50 mil pessoas – segundo estimativa da Polícia Militar – no maior protesto já registrado na capital. A manifestação do dia 26 de junho transformou em praça de guerra o entorno do Mineirão, estádio onde o Brasil derrotou o Uruguai em uma das semifinais da Copa das Confederações.

Na ocasião, durante um confronto entre policiais militares e um grupo de manifestantes que promoveu quebradeira em diversos estabelecimentos comerciais, principalmente concessionárias de veículos e agências bancárias, o jovem Douglas Henrique Oliveira, de 21 anos, morreu após cair em um vão do Viaduto José Alencar.

O protesto ocorreu menos de uma semana após o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), anunciar a redução de R$ 0,05 nas passagens de ônibus na cidade e de o governo estadual reduzir em R$ 0,15 a tarifa dos coletivos metropolitanos. Hoje, as passagens voltaram a subir e a mudança mais visível de todo o protesto foi a instalação, a pedido do Ministério Público Estadual, de uma rede de proteção no vão do viaduto.

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