Ex-diretor do Dnit afirma que obteve doações para Dilma

Luiz Pagot disse na CPI que arrecadou, com empresas que tinham contrato com órgão, até R$ 6,5 mi para a campanha presidencial do PT

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h03

Em depoimento de cerca de oito horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot revelou que arrecadou entre R$ 5,5 milhões e R$ 6,5 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff. Os recursos foram doações de cerca de 30 a 40 empresas que, na época, tinham contrato com o Dnit.

À CPI, Pagot contou que procurou as empresas para doar para a campanha de Dilma a pedido do hoje deputado José de Filippi Júnior, então tesoureiro da campanha presidencial petista. Ele disse que se reuniu com o tesoureiro por duas vezes: antes do primeiro turno das eleições presidenciais, quando mostrou uma lista com os nomes das 369 empresas que tinham contrato com o Dnit, e depois do segundo turno, quando Dilma Rousseff já havia sido eleita. No primeiro encontro, Filippi solicitou para que ele procurasse as empresas de menor porte para pedir doação para a campanha de Dilma.

"Reconheço que não foi ético da minha parte. Percebi o tamanho da bobagem que estive fazendo", lamentou Pagot.

O depoimento de Pagot, no entanto, frustrou os integrantes da CPI que esperavam revelações bombásticas do ex-diretor do Dnit. Pagot deixou a autarquia durante a "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff, em julho de 2011.

Ideli. Além do comitê de campanha de Dilma, Pagot afirmou ainda que a então senadora Ideli Salvatti (PT-SC), hoje ministra das Relações Institucionais, e o ex-senador Hélio Costa (PMDB-MG) também pediram que ele intermediasse doações para suas campanhas em 2010 - os dois concorreram ao governo de seus respectivos Estados: Santa Catarina e Minas.

Em nota, Ideli disse que "jamais recorreu" ao então diretor do Dnit para "solicitar recursos para campanhas ou mesmo indicações de empresas para esse fim". "Reafirmo tudo o que disse. Não estou faltando com a verdade", rebateu Pagot, que se colocou à disposição para fazer uma acareação com a ministra.

'Conversa de bêbado'. Pagot alegou que foi mal interpretado em entrevista à revista IstoÉ e qualificou como "conversa de bêbado, de botequim", a notícia de que um aditivo à obra do Rodoanel, em São Paulo, seria usado para desviar recursos para campanhas tucanas de José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD).

O contrato no valor de R$ 3,6 bilhões para o Rodoanel foi feito em parceria entre o Dnit e o Departamento de Obras Rodoviárias de São Paulo (Dersa), comandada na época por Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Segundo Pagot, o ex-diretor da Dersa pressionou por um aditamento de R$ 260 milhões, que foi negado pelo Dnit. "Um conhecido meu me alertou para ter cuidado com esse aditivo porque, na realidade, ele era para contribuir para as campanhas do Serra, do Alckmin e do Kassab. Mas isso é uma conversa de bêbado, de botequim, uma conversa que não se pode provar." Segundo Pagot, havia na época um "nervosismo por parte das empreiteiras" para que o aditivo fosse assinado.

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