Ex-diretor da Dersa nega ter arrecadado em 2010

Convocado a depor na CPI do Cachoeira, o ex-diretor da Dersa, que administra as obras rodoviárias no Estado de São Paulo, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, garantiu ontem não ter arrecadado doações de empresas para a campanha presidencial do tucano José Serra, em 2010. O depoimento de Paulo Preto frustrou parte dos integrantes da CPI, em especial os petistas, que o apontavam como um "homem-bomba" disposto a revelar a existência de caixa 2 nas campanhas tucanas.

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h10

Em quase seis horas de depoimento, Paulo Souza negou as acusações de tucanos de que teria arrecadado R$ 4 milhões para a campanha de Serra e fugido com o dinheiro. "Nunca vi nenhum empresário fazer oficialmente alguma contribuição para campanha sem consultar diretamente quem é de direito", argumentou. "Atribuo isso à má-fé. É ingratidão que recebi de pessoas que nunca vi na vida", afirmou. Mais tarde, listou como desafetos o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, o deputado José Aníbal (SP) e o ex-tesoureiro tucano Evandro Losacco.

O ex-diretor da Dersa tentou persuadir os parlamentares de sua competência frente a obras do Rodoanel e da Marginal Tietê, tocadas pelos governos de José Serra e Geraldo Alckmin. Rebateu as afirmações do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot que, na véspera, revelou ter sido pressionado pela Dersa a assinar aditivo de R$ 264 milhões à obra de R$ 3,6 bilhões do Rodoanel.

"Ele (Pagot) não assinou porque o Dnit não foi autorizado pela Advocacia-Geral da União a assinar", disse. O aditivo, segundo ele, foi assinado quatro meses depois de ele deixar o governo, em abril de 2010. Uma das empresas beneficiadas foi a Delta.

Paulo disse ter se encontrado apenas duas vezes com Fernando Cavendish, principal acionista da Delta. Durante o depoimento, Cavendish ficou em silêncio. Antes disso, tomou um chá de cadeira de nove horas até ser chamado para falar à CPI. Com um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, disse que irá responder apenas judicialmente sobre as declarações captadas em escutas telefônicas pela Polícia Federal em que fala sobre a possibilidade de comprar um senador por R$ 6 milhões.

Dizendo ter sofrido ameaças, o contador Gilmar Carvalho Morais foi o último a depor ontem. Ele foi o responsável pela abertura de quatro empresas "laranjas", que agiam no esquema ilegal do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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