Ex-deputado afirma que hoje 'é só mais um réu' no Supremo

Com a saúde abalada, Roberto Jefferson afirma que diverge do relator porque 'não alugou sua bancada'

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h04

O presidente nacional do PTB e deputado cassado, Roberto Jefferson, comprava remédios numa farmácia no Rio enquanto o ministro Joaquim Barbosa pedia sua condenação por corrupção passiva no Supremo Tribunal Federal. Voltou a dizer, no entanto, que não cometeu atos que caracterizem a prática de corrupção.

Horas antes, o ex-parlamentar havia recebido alta do Hospital Samaritano, na zona sul, onde ficou internado por uma semana para se recuperar de problemas gastrointestinais e desidratação. Estava 9 quilos mais magro. Jefferson foi submetido à retirada de um tumor maligno na região do pâncreas em julho.

"Entendo que ele (Barbosa) está mantendo a mesma posição do início do julgamento, que é a posição do Ministério Público Federal. Essa corrupção passiva não se aplica a mim. Divirjo abertamente. Não aluguei minha bancada no mensalão. Não corrompi a bancada em atos de ofício em favor do governo. Isso é bobagem."

Solidário. Jefferson não fez previsões sobre o fim de seu julgamento. "A cada dia o seu mal. Vou aguardar cada um se pronunciar", disse.

Ele se mostrou solidário com os réus ligados ao antigo PL (hoje PR) que também tiveram suas condenações pedidas pelo relator. Disse que entendia o sofrimento até pelo qual passa o deputado Valdemar Costa Neto, com quem trocou acusações.

"Não me regozijo. O sofrimento que estou passando imagino que é o mesmo que ele esteja vivendo. Se eu não gosto para mim, não gosto para ninguém", afirmou. "Nem para o Zé Dirceu", disse, referindo-se ao ex-ministro, a quem chamou de mentor do esquema. Com saúde abalada, Jefferson afirmou que seu protagonismo no "ringue político" acabou e que hoje é só mais um réu no STF.

Seu advogado, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, disse que vai aguardar a conclusão do voto do relator, mas já fez ressalvas. "(O relator) Fez confusão de datas, mas isso pode ser corrigido. Jefferson é testemunha, não é autor, nem recebedor. Não há possibilidade de lavagem sem que se tenha ciência prévia da origem do recurso. Isso o relator não enfrentou."

A assessoria de Costa Neto informou que o deputado acompanhou pela TV o voto do relator, mas não iria se manifestar. / COLABOROU FAUSTO MACEDO

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