Ex-comandante do DOI-RJ é assassinado

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga o assassinato do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, de 78 anos. O militar, morto a tiros na quinta-feira, em Porto Alegre, era comandante do Destacamento de Operações e Investigações do 1.º Exército (DOI-RJ), ao qual estavam vinculados os dois militares responsáveis pela tentativa de atentado ao Riocentro, em 1981, quando, no dia 30 de abril, a explosão de uma bomba dentro de um automóvel matou um sargento e feriu um capitão.

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h02

Embora haja evidências de sequestro e tentativa de assalto, a polícia não descarta outras hipóteses, como a de assassinato sob encomenda. A investigação aponta para a possibilidade de Dias ter sido abordado por homens armados quando saía da casa de uma filha, no bairro Petrópolis, e forçado a levar um bandido como carona de seu Citroën até sua casa, na Chácara das Pedras, sendo seguido por outro homem em um Gol vermelho. Ao chegar, o militar teria reagido, para evitar que os assaltantes entrassem em sua residência, e disparado contra o carona um tiro de pistola.

Os dois lutaram e o bandido puxou o coronel para fora do carro. Em seguida o motorista do Gol chegou ao local e disparou diversos tiros, acertando ao menos três - no tórax, no rosto e em um braço. O coronel morreu no local, e a dupla fugiu no Gol, levando apenas a arma do militar. A polícia localizou o automóvel que teria sido usado pelos assaltantes.

Disparos. A hipótese da execução não está descartada porque houve muitos disparos, prática rara em crimes comuns, e porque a carteira da vítima não foi levada. Discreto tanto na carreira militar como na aposentadoria, Dias só aparece em relatos que o citam como o chefe do DOI-RJ à época do caso Riocentro e que não afirmam, no entanto, que ele tenha planejado ou autorizado o atentado.

O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, consultou arquivos da entidade e de outros grupos ligados à defesa dos direitos humanos e não encontrou registros de atividades do coronel na repressão. Ele considera improvável que o crime tenha relação com os anos de chumbo.

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