Ex-chefe de gabinete em São Paulo nega tráfico de influência; Lula não comenta

Quase uma semana após deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, Rosemary rompe silêncio e afirma que vai provar inocência

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2012 | 02h00

A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, negou nessa quinta-feira, 30, ter cometido tráfico de influência ou qualquer outro ato de corrupção enquanto ocupou o cargo. Em nota distribuída por seu advogado, Luiz José Bueno de Aguiar, ela diz que está interessada em provar sua inocência em relação às denúncias da operação Porto Seguro, da Polícia Federal, e que pretende prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades.

"Do dia para a noite, tive minha vida devassada e apontada como pivô de um esquema criminoso que atrai a atenção de toda a mídia", diz a ex-chefe em sua nota. "Sou, portanto, a pessoa mais interessada em provar que não tive qualquer participação em supostas fraudes em pareces técnicos ou corrupção de servidores públicos para favorecimento a empresas privadas."

Indiciada pela PF, ela também afirma que, enquanto trabalhou para o PT ou para a Presidência, nunca fez "nada ilegal, imoral ou irregular que tenha favorecido o ex-ministro José Dirceu ou o ex-presidente Lula em função do cargo que desempenhavam". E mais: "Nunca soube também de qualquer relação pessoal ou profissional deles com os irmãos Paulo e Rubens Vieira."

Sobre as viagens que fez ao exterior, como parte de comitivas da Presidência da República, Rosemary diz: "Quero dizer que todas as viagens que fiz ao exterior foram por solicitação do cerimonial da PR, em decorrência de meu cargo e função e, para isso, fiz curso no Itamaraty, não havendo, portanto, nada de irregular ou estranho neste fato."

Amizade. Sobre as relações com os irmãos Vieira, afirma: "Há mais de 10 anos, tenho com o senhor Paulo Vieira uma forte relação de amizade, hoje abalada por detalhes da operação da Polícia Federal."

Ao final da nota, ela manifesta confiança: "Mesmo perplexa com o caso, tenho absoluta certeza de minha inocência. Não cometi tráfico de influência nem qualquer ato de corrupção, como em breve ficará provado."

A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que ele não vai comentar os e-mails da ex-chefe de gabinete. De acordo com a assessoria, o ex-presidente é citado nos e-mails de uma terceira pessoa, de maneira passiva, e, portanto, não tem declarações a fazer.

A assessoria também enfatizou que a Procuradoria-Geral da República, ao tratar das investigações relacionadas à Operação Porto Seguro, já declarou que não existe nada relacionado ao ex-presidente.

O criminalista Fauzi Achôa, que defende Rubens Vieira, declarou que "não há nenhum delito, nenhum crime na troca de e-mails". "Trata-se apenas de uma conversa particular, a respeito de assuntos particulares. O que está errado, por constituir uma indiscrição, é a divulgação dessas conversas."

"Qual o delito que pode haver na solicitação de um emprego a uma pessoa conhecida?", pergunta Achôa. "Cargos de confiança em empresas públicas são preenchidos por indicações É comum trocar informações."

O criminalista Pierpaolo Bottini, que defende Paulo Vieira, foi categórico. "Paulo não é chefe de quadrilha, nunca foi."

O deputado Cândido Vaccarezza negou conhecer Paulo: "Não há uma pessoa no governo do primeiro ao rabugésimo escalão que vá dizer que eu pedi para indicar esse Paulo. Se encontrar vai me desmoralizar. Procure." /FAUSTO MACEDO, FERNANDO GALLO E BRUNO BOGHOSSIAN

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