Ex-assessor de Perillo divida empresa com primeira-dama

Lucio Fiuza era sócio da mulher do governador na MP Assessoria, que rendeu a Perillo mais de R$ 670 mil em 2011

ALANA RIZZO/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h10

Exonerado pelo governador de Goiás depois das investigações da Polícia Federal, o ex-secretário particular de Marconi Perillo (PSDB), Lúcio Fiuza Gouthier, , já foi sócio do governador e de sua esposa, Valéria, em uma empresa. A MP Assessoria Empresarial Ltda. foi criada em 2006, ano em que o governador concorreu ao Senado. A empresa foi desativada no ano seguinte.

Conforme revelou ontem o Estado, Fiuza, homem de confiança de Perillo, foi responsável por um empréstimo de R$ 150 mil para o governador no ano em que ele vendeu uma casa num condomínio de luxo em Goiânia, no qual Cachoeira foi preso em fevereiro passado. Perillo dobrou seu patrimônio naquele ano.

Em 2006, a MP Assessoria rendeu R$ 672 mil de lucro a Perillo, segundo dados da Receita Federal em poder da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as atividades de Carlinhos Cachoeira.

Naquele ano, o governador informou rendimentos de R$ 40 mil da assessoria, além de R$ 38 mil do governo de Goiás. No ano seguinte, declarou ter R$ 27 mil do capital da empresa. No mesmo documento, Perillo afirma que a MP Assessoria tinha sido fechada.

Informações da Receita remetidas à CPI mostram que o secretário também vendeu dois carros para o governador e lhe emprestou R$ 38 mil em 2003.

Parceria. Companheiro político e pessoal de Marconi desde 1991, Fiuza trabalhou nas campanhas do tucano, sempre na área financeira. Nas escutas da PF, ele é citado em conversas sobre a venda da casa do governador.

O assessor de Marconi também aparece em áudios que tratam da entrega de R$ 500 mil no Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Segundo a PF, o pagamento só não ocorreu porque Lúcio não estava no local.

Em nota enviada ao Estado, o Perillo afirmou que a sociedade com Lúcio é pessoal e se nega a informar quais eram as atividades da empresa. "Os empréstimos de Lúcio Fiuza estão declarados no Imposto de Renda do governador e no dele. Nada existe de suspeito em relação à venda da casa, apenas um esforço de acusar um governador com três mandatos e patrimônio rigorosamente compatível com seus rendimentos", completa a nota.

Convocado pela CPI, Fiuza obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) e permaneceu calado durante a reunião da Comissão na última terça-feira. Ontem, ele não foi localizado para comentar.

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