Ex-assessor de Agnelo chora ao ser elogiado durante depoimento

Claudio Monteiro negou ter recebido telefone do grupo de Cachoeira, mas admitiu reunião com ex-diretor da Delta

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2012 | 03h11

Citado pelo grupo de Carlinhos Cachoeira como o "02 de Brasília", Claudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (DF), chorou ontem na CPI ao ser elogiado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). A atitude do tucano, que tem se destacado na comissão por inquirir os depoentes geralmente aos berros, surpreendeu seus colegas. No depoimento de cerca de quatro horas, Monteiro negou qualquer envolvimento com o grupo de Cachoeira.

"Não existe uma única gravação com sua voz. Nem indícios de que o senhor recebeu um rádio Nextel do grupo de Cachoeira. O senhor sai daqui com a cabeça erguida, transparecendo ser uma pessoa de bem", disse Sampaio. Fortemente aplaudido pela claque levada por Monteiro para assistir ao seu depoimento, Sampaio não quis fazer perguntas ao depoente que, emocionado com as palavras do tucano, derramou duas lágrimas diante do plenário esvaziado da comissão.

"Não sei o porquê de ele (Sampaio) não fazer perguntas", desconversou o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Não sabia que ele ia fazer isso", emendou o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). "A oposição endoidou", ironizou o deputado Sílvio Costa (PTB-PE).

Ao Estado, Sampaio garantiu estar convencido da inocência de Monteiro. "Não temos que ficar criando um clima para pegar quem não tem que ser pego", disse. Ele negou que tenha sido enquadrado pelo PSDB para amenizar o tom de suas falas na CPI. "Não fui enquadrado."

Além de negar ter recebido um Nextel do grupo de Cachoeira, Claudio Monteiro afirmou que não agiu no governo do DF para favorecer a Delta Construções. Garantiu ainda não ter recebido recursos de Cachoeira ou da Delta para sua campanha à Câmara Distrital, em 2010. "Se ele (Cachoeira) tivesse doado, eu teria aceito", afirmou.

Durante o depoimento, Monteiro admitiu que se reuniu duas vezes no Palácio do Buriti, sede do governo do DF, com Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. Nesses encontros, estava também Idalberto Matias, o Dadá, apontado como integrante do esquema.

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