Evento religioso reúne Kassab a tucanos em SP

Na largada para as eleições, Alckmin e Serra prestigiam festa realizada no Estádio do Pacaembu após prefeito ter desafiado decisão judicial e associação

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2011 | 03h03

A festa do centenário das Assembleias de Deus levou ontem ao Estádio do Pacaembu 32.940 pessoas (quantidade registrada pelas catracas) e mobilizou uma megaoperação da Prefeitura de São Paulo de limpeza, fiscalização e monitoramento de trânsito para evitar ações judiciais promovidas pela Associação de moradores do bairro, a Viva Pacaembu.

Com a proximidade das eleições, também estiveram presentes políticos de diferentes colorações partidárias, já que o voto evangélico é um dos mais disputados pelos candidatos.

Os moradores conseguiram determinação da Justiça para limitar eventos no estádio, em 2009. "A sentença judicial tem sido atendida. Os eventos são permitidos e acredito que as limitações têm sido cumpridas", disse o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Segundo ele, outros eventos no estádio, se acontecerem, terão a mesma fiscalização.

Além de Kassab, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e até o ex-governador José Serra (PSDB) assistiram à celebração em cadeiras reservadas na primeira fileira de autoridades religiosas no palco montado no gramado, em frente da arquibancada do tobogã.

O governador se manifestou em apoio à realização de eventos no Pacaembu, desde que atendidas as regras municipais que limitam em 50 decibéis o ruído no bairro. Alckmin e Serra foram cercados por religiosos para tirar fotos e atenderam aos pedidos. Para Kassab, que deixou o estádio pouco antes do fim da cerimônia, eles gritavam: "Kassab, Jesus te ama!", ao que o prefeito respondia com acenos. "É uma Igreja importante, muito séria", disse o prefeito, que liberou a comemoração no estádio e foi homenageado pelo locutor oficial durante o evento.

Mutirão. Os secretários municipais de Coordenação das Subprefeituras e de Esportes e Lazer, além dos subprefeitos da Lapa e da Sé, acompanharam as operações pessoalmente, por determinação de Kassab.

"Hoje vamos apagar a luz do estádio", brincou o secretário Ronaldo Camargo, satisfeito com a tranquilidade do evento religioso. Segundo ele, foram destacados para atuar na fiscalização 200 guardas civis, 230 agentes da CET, 250 fiscais e garis das subprefeituras e 150 policiais militares. Ele disse que não houve registro de grandes apreensões de mercadorias ou incidentes num raio de 500 metros de distância a partir do estádio. "Não vimos marreteiros, nem flanelinhas, nem ônibus estacionados em área residencial."

A reportagem flagrou agentes da Guarda Civil Metropolitana repreendendo três flanelinhas que tentavam guardar carros na Rua Itatiara, ao lado do estádio. Eles também tentavam vender capas de chuva e disfarçavam sentados no ponto de ônibus. Mas não foram detidos.

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