Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Evento feminino contra Bolsonaro é alvo de ameaças em Ribeirão Preto

Mais de dez mulheres foram à delegacia denunciar perseguição após confirmarem presença no ato marcado para o fim de semana na cidade

Rene Moreira - Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 08h58

Um evento marcado para o próximo sábado, 29, em Ribeirão Preto, contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, tem sido alvo de ameaças. Mais de dez mulheres estiveram na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para dizer que receberam ameaças por estarem na organização ou confirmarem presença no protesto.

A página na internet que convida para a manifestação também foi alvo de críticas, xingamentos e ameaças. Ainda assim, até a tarde desta terça-feira já somava mais de 10 mil interessados e 4,3 mil confirmações de presença. O ato, que acontece também em outras cidades do país, em Ribeirão está previsto para as 11h na Esplanada do Theatro Pedro II.

Segundo a delegada Luciana Renesto Ruivo, as ameaças foram feitas em formas de posts nas páginas das mulheres nas redes sociais. Ela diz que muitos ataques partiram de perfis que são fakes. "Outros a gente ainda não sabe".

Ela contou que mulheres de diferentes idades e condições financeiras estiveram na delegacia, mas somente uma registrou o BO. "Elas vieram, conversaram, me mostraram o material, mas não se animaram de registrar a ocorrência, disseram que vão esperar um pouco", falou a delegada.

Perguntada se vê algum risco à segurança da manifestação, ela falou que "não dá para prever", mas acredita ser mais pressão. "Mesmo porque vai dar rolo. A PM vai estar lá, todo mundo vai estar lá... Quem se meter a besta vai acabar se complicando, né?".

Tensão

Entidades encaminharam ofícios à Polícia Militar pedindo que reforce a segurança do evento. A reportagem conversou com uma das vítimas e ela falou sobre o medo. "De repente passei a receber publicações agressivas, foi horrível. Acho que vou estar presente mesmo assim", afirmou.

O BO foi formalizado por uma das organizadoras do ato. Ela e as demais não quiseram se manifestar sobre as ameaças, alegando que primeiro estarão reunidas para resolver como tratarão esse assunto. "Definimos que somente depois desse encontro é que iremos falar com a imprensa", disse uma delas.

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