'Eu teria mais chance de ganhar; fiquei frustrada', diz Marta sobre eleições de 2012

Senadora anunciará nesta semana apoio a Haddad e diz que fará 'todos os esforços' para que atual ministro se torne mais conhecido em São Paulo

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h02

BRASÍLIA - A senadora Marta Suplicy (PT-SP) vai anunciar nesta semana seu apoio ao ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Marta recebeu ontem à tarde, em seu gabinete, um telefonema de Haddad, que a convidou para conversa reservada. Foi o primeiro gesto nessa direção. "Terei de fazer todos os esforços para que ele se torne mais conhecido", disse a senadora. Pressionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a desistir de disputar a prévia em favor de Haddad, Marta jura não guardar mágoa. "Eu não fiquei magoada com Lula. Fiquei frustrada porque avalio que teria mais chance de ganhar", comentou a ex-prefeita.

Por que a sra. ainda não declarou apoio à candidatura do ministro Fernando Haddad?

Haddad me ligou hoje (quarta-feira,) e vou conversar com ele nesta semana. O meu apoio é absolutamente condizente com o que anunciei quando desisti: o indicado pelo partido será a pessoa que vou apoiar. Alguém achou que eu faria uma surpresa? Sou uma pessoa partidária.

A sra. chegou a dizer ao 'Estado' que, se o ex-presidente Lula quisesse perder a eleição, apoiaria o ministro Haddad. O que mudou de lá para cá?

Naquele momento eu estava disputando com Haddad. Agora, ele é o candidato do PT e eu terei de fazer todos os esforços para que se torne mais conhecido e sua candidatura seja viabilizada de forma exitosa. Pretendo ajudá-lo ao máximo, mas o meu trabalho no Senado é bastante pesado. Agora, por exemplo, acabei de entregar a reformulação do sistema de saúde dos funcionários.

A sra. ficou magoada com o ex-presidente Lula. Passou?

Eu não fiquei magoada com Lula. Fiquei frustrada porque avalio que teria mais chance de ganhar.

O argumento de que o PT precisa de uma cara nova em São Paulo é real ou muda de acordo com as conveniências políticas?

Não tenho nada a comentar sobre isso.

A presidente Dilma lhe ofereceu algum cargo para a sra. desistir da candidatura?

Não. Seria absolutamente inconveniente. A presidente Dilma acha que estou ocupando bem a vice-presidência do Senado e tenho mais um ano nesse cargo, de proeminência para as mulheres.

Mas a sra. já foi ministra, no segundo mandato do ex-presidente Lula. Não gostaria de voltar à Esplanada?

O cargo quer ocupo é importante. Qualquer outro aceno, neste momento, é inadequado.

E quem irá para o lugar de Haddad no Ministério da Educação?

Não tenho a mais leve ideia. Isso não me diz respeito.

Quais são seus planos para 2014? Pretende entrar na fila para concorrer ao governo?

Cada dia com sua agonia. Como vemos, a conjuntura política é mais rápida do que nossos sonhos, desejos ou projetos pessoais.

Qual será o maior adversário do PT na eleição em São Paulo?

Adversário a gente não escolhe, mas tudo indica que será o Serra (José Serra, do PSDB), que nunca me enganou um minuto.

Ele diz que não será candidato a prefeito....

A troco do que ele sairia agora? Para ter desgaste? O tabuleiro começou a ficar mais nítido e vamos ver como o PSD do Kassab (prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab) vai se juntar ao PSB no apoio à candidatura Serra. Esse é o plano. O resto é firula. Para mim está tudo muito óbvio.

Mas o PSD pode ser aliado do governo Dilma e o PSB está na base de apoio do Planalto, embora em São Paulo esteja com o PSDB do governador Geraldo Alckmin. O PT não consegue atrair o PSB na capital?

Apesar das dificuldades que às vezes se aventa, Serra sempre coloca a necessidade dessa parceria (com o PSD). Ao que tudo indica, o PSB caminhará junto. Mas não compete a mim fazer análise das candidaturas adversárias. Para bom entendedor, meia palavra basta.

É possível uma aliança em São Paulo entre o PT e o PMDB?

Seria interessante, se possível.

O deputado Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à Prefeitura, pode ser vice de Haddad?

Aí é um problema do PMDB e do próprio Chalita.

Quais são os principais desafios do PT na capital?

O candidato do PT vai ter de elaborar um programa de saúde forte. Além disso, o transporte está um caos. Foi uma administração absolutamente medíocre. Na campanha de 2008, por exemplo, Kassab prometeu pôr R$ 1 bilhão na ampliação do Metrô. Demorou quase quatro anos, não chegou a esse valor, agora prometeu mais um aporte de R$ 1 bilhão e não cumpriu.

Compete à direção do PT desenvolver um programa de resgate à nossa gestão.

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