WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
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'Eu tenho que aprender com vocês a dar um xeque-mate', diz Marina a alunos em Brasília 

A candidata da Rede ao Palácio do Planalto nas eleições 2018 também ironizou decisão de Jair Bolsonaro (PSL) sobre participação em debates

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2018 | 17h45

BRASÍLIA - Pela terceira vez concorrendo à Presidência da República, Marina Silva, candidata pela Rede, visitou uma escola pública de ensino fundamental em Brasília nesta quinta, 23. Ao ver dois alunos jogando xadrez, Marina afirmou que queria aprender com eles a "dar um xeque-mate". 

A candidata nas eleições 2018 visitou o colégio, considerado modelo de inclusão social, onde assinou uma carta de compromisso com a Rede Nacional de Primeira Infância. "Fui a primeira a aderir, em 13 de agosto, com uma assinatura eletrônica, e agora tenho a oportunidade de fazê-lo presencialmente", afirmou. Marina garantiu que a educação de qualidade para a primeira infância, ensino fundamental e médio será a prioridade número 1 de seu eventual governo

Ela defendeu também o ensino em período integral, quando o aluno permanece na escola nos dois turnos, e mais investimentos para a arte e o esporte no ambiente escolar. "Sabemos que o que faz a diferença na vida de uma pessoa é a educação. É ela que gera igualdade de oportunidades", disse na escola de ensino fundamental pública no Gama, região administrativa de Brasília.

No local, Marina acompanhou o projeto Cordas do Gama, que tocou e cantou músicas como "My heart will go on", famosa pelo filme Titanic, e "Aquarela do Brasil". Em seguida, ela conheceu alguns projetos extraclasse da escola, desenvolvidos em parceria com a Universidade de Brasília. A candidata também ganhou um quadro com um retrato seu pintado e disse que o levará para o Palácio do Planalto caso seja eleita. “Vou levar para me lembrar do compromisso que eu assumi aqui”. 

Durante um discurso feito em meio aos alunos, Marina relembrou sua biografia, citou momentos de dificuldades em sua vida e disse que, sem a oportunidade de estudar, mesmo aos 16 anos quando se alfabetizou, não estaria onde está. "Não somos o produto das coisas ruins que aconteceram com a gente, somos o produto das coisas boas que nós fizemos a nós mesmos. Se eu fosse o resultado e o produto das coisas ruins que a vida fez comigo, eu não estaria aqui", disse. 

Questionada por jornalistas sobre o que pensa sobre o debate sobre gênero nas escolas, Marina disse que o ambiente escolar deve ser um espaço para discutir as "relações das pessoas com elas mesmas, umas com as outras, e com a natureza. Mas isso deve ser feito sem nenhum tipo de proselitismo, nem religioso, nem de qualquer natureza", disse. 

“Eu não vou para o embate, eu vou para o debate”, diz Marina Silva sobre Bolsonaro

Durante o evento de campanha, Marina ironizou a decisão de seu adversário, Jair Bolsonaro, presidenciável pelo PSL, de ir a apenas alguns dos debates presidenciais na televisão durante a campanha eleitoral nas eleições 2018.  

“Ele já tinha dito isso em outras oportunidades e não cumpriu o que disse. Eu estarei no debate porque ele é momento de se discutir ideias com a sociedade”, disse. 

Foi justamente Marina que confrontou Bolsonaro no último debate, realizado pela RedeTV! na semana passada. Ela o confrontou após ele ter dito que não era preciso se preocupar com diferenças salariais entre homens e mulheres. Marina defendeu que a questão é pertinente e que as desigualdades entre gêneros ainda persistem no mercado de trabalho. 

Questionada sobre se temia virar alvo preferencial de Bolsonaro nos próximos debates, Marina disse que já foi “alvo em 2014”, quando também foi candidata à Presidência. 

“Eu não vou para o embate, eu vou para o debate. [...] Já passei por ataques em 2014 e vou continuar debatendo o que é bom para o Brasil. Não vou discutir apenas propostas mas propósitos. Quero ganhar por ganhar, não vou agredir ninguém”, disse.

Ela afirmou novamente também defender o plebiscito para questões como a descriminalização do aborto e das drogas no país. "Todos os brasileiros sabem que eu sou contra o aborto e a legalização das drogas. Mas sempre digo que temas complexos não podem ser definidos apenas pelos deputados e senadores. Eles são eleitos para representar e não para substituir a sociedade", disse. 

Confira a cobertura multiplataforma do ‘Estado’ nas eleições 2018

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