Estreia de Feliciano quase acaba em briga

Tumulto domina 1ª reunião da Comissão de Direitos Humanos sob comando de pastor

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h28

A primeira reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados realizada sob o comando do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi marcada ontem por bate-boca entre parlamentares, palavras de ordem, vaias, aplausos e muito tumulto.

A sala da comissão foi tomada por manifestantes de movimentos sociais, que acusam Feliciano de homofobia e racismo, e de igrejas evangélicas, presentes para defender o deputado. O grupo religioso chegou cedo e ocupou cinco das sete fileiras de cadeiras da sala. Em seguida vieram os manifestantes dos movimentos contrários à indicação de Feliciano para comandar a comissão.

Com dificuldades de se locomover, o pastor foi ajudado por 20 seguranças no caminho entre a porta de entrada e a mesa da presidência. Tentou, de início, pedir "humildes desculpas" se havia ofendido alguém - em 2001, no Twitter, escreveu que africanos descendiam de um ancestral "amaldiçoado" e que "a podridão das relações homoafetivas levam ao ódio e à rejeição".

Suplente na comissão, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) aproveitou para provocar os representantes de movimento sociais, chamando-os de gays e até empunhando um cartaz com dizeres ofensivos. Também bateu boca e quase trocou socos com o deputado Domingos Dutra (PT-MA), ex-presidente da comissão.

Gritos. "Estelionatário!", "racista!", "fundamentalista!" , "pastor ditador!", "Fora Feliciano!" eram ouvidos dos manifestantes contrários a Feliciano. Do outro, aplausos entusiasmados a cada fala do pastor, que reagia aos protestos: "Eu sou presidente desta sessão. Não cedo à pressão. Se os senhores não pararem vou ter que esvaziar a sessão."

"Os outros manifestantes vieram convocados pelos deputados do PT. Então o pastor Feliciano também convocou os seus", disse o líder do PSC na Câmara, deputado André Moura (SE), sobre a presença dos 50 evangélicos pró-Feliciano que apareceram na sessão.

Ringue. Um dos momentos mais tensos da reunião de ontem foi o embate entre Feliciano e o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), ex-secretário de Direitos Humanos do governo Lula.

Os dois só não se agrediram porque a briga foi apartada. Feliciano fingiu não ouvir Nilmário, que ficou em pé na sua frente. "Quem é o senhor? Como é o seu nome?", indagou Feliciano. O petista disse então que o pastor não tinha "legitimidade" para presidir a comissão.

Em protesto ao comportamento de Feliciano - o pastor chegou a cassar a palavra de parlamentares do PT e do PSOL em alguns momentos -, a bancada petista se retirou da comissão. "A atitude do Nilmário foi incorreta", reagiu o líder do PSC, ao defender seu colega de partido.

Iniciativa. Numa das tentativas de tentar se descolar do rótulo de homofóbico, Feliciano pôs em votação requerimento propondo nota de repúdio ao candidato à presidência na Venezuela, Nicolás Maduro, que acusou seu adversário Henrique Caprilles de ser homossexual. Apresentado às pressas pelo deputado João Campos (PSDB-GO), que é suplente na comissão e presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o requerimento não foi aprovado por falta de quórum: teve oito dos 10 votos necessários para ser aprovado.

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