Estreantes, PROS e Solidariedade vão repetir nos Estados a lógica nacional

Sigla pró-Dilma fecha com 13 candidatos a governador da coalizão petista; presidente da Força estará ao lado de 6 aliados de Aécio

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h15

Os dois mais recentes partidos do Brasil levaram a lógica do alinhamento político no plano nacional para os Estados. O PROS, que nasce para apoiar a tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014, por ora é aliado regional de pelo menos cinco prováveis candidatos a governador ligados ao Palácio do Planalto. O Solidariedade, que será tropa de apoio à candidatura presidencial do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), carregou seu oposicionismo para os Estados e se ligou a grupos políticos que devem atuar contra a petista.

Essa receita é diferente da fórmula adotada pelo PSD quando o partido foi criado. Ali, o então prefeito de São Paulo e presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, optou por ser alinhado a praticamente todos os governadores como forma de viabilizar a estruturação da sigla e projetar algumas candidaturas no ano que vem. Os dois novos partidos, porém, que agitaram a política nesta semana e fomentaram o troca-troca partidário, têm pretensões eleitorais modestas. Seus dirigentes estão conscientes de que serão linhas auxiliares de legendas do governo e da oposição e que terão dificuldades para lançar um número razoável de candidatos aos cargos majoritários. Nenhuma das duas legendas pretende entrar na disputa presidencial.

O Solidariedade, por exemplo, contabiliza as candidaturas dos deputados Armando Vergílio, que deixou o PSD, para o governo de Goiás, e de Henrique Oliveira, que saiu do PR, ao governo do Amazonas, e do deputado Eduardo Gomes, ex-PSDB, candidato ao Senado por Tocantins. O PROS, por enquanto, tem apenas um concorrente a governo de Estado, o deputado Major Fábio, egresso do DEM, que vai disputar o governo da Paraíba.

Na ponta do lápis, o apoio do PROS pode chegar a 13 prováveis candidatos a governador que devem estar ao lado de Dilma Rousseff em 2014: Tião Viana (PT-AC), Omar Aziz (PSD-AM), Cid Gomes (sem partido-CE), Paulo Hartung (PMDB-ES), Júnior da Friboi (PMDB-GO), Delcídio Amaral (PT-MS), Fernando Pimentel (PT-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Wellington Dias (PT-PI), Lindbergh Farias (PT-RJ), Tarso Genro (PT-RS), Raimundo Colombo (PSD-SC) e Alexandre Padilha (PT-SP).

Por sua vez, o Solidariedade apoia seis possíveis candidatos que estarão com Aécio, caso de Arthur Virgílio (PSDB-AM), Marconi Perillo (PSDB-GO), Beto Richa (PSDB-PR), Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Siqueira Campos (PSDB-TO), além do candidato que será apoiado pelo tucano em Minas Gerais, ainda indefinido.

Ao mesmo tempo, a nova legenda dará suporte a cinco prováveis candidatos que vão apoiar Eduardo Campos (PSB): Paulo Bornhausen (PSB-SC), Renato Casagrande (PSB-ES), Ricardo Coutinho (PSB-PB), quem vier a ser escolhido por Wilson Martins (PSB-PI) e o candidato do governador de Pernambuco, não escolhido.

Quadro invertido. Mas há uma exceção entre os partidários do Solidariedade, que na Bahia devem estar ao lado de um candidato da presidente Dilma Rousseff e que vai substituir o governador Jaques Wagner (PT). Esse último caso ocorre porque na Bahia o quadro se inverteu: o Solidariedade alinhou-se ao PT, enquanto o PROS ficará com a oposição, liderada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM.

Existem ainda peculiaridades locais, o que só aumenta a confusão partidária. Um exemplo disso é a situação de Pernambuco, onde tanto o PROS quanto o Solidariedade contaram com a mão amiga do governador Eduardo Campos e vão marchar com ele. No caso do PROS, pelo acordo firmado entre o socialista e os dirigentes da legenda, caberá a Campos escolher o presidente do partido em Pernambuco.

O deputado federal Paulinho da Força disse que, apesar de o Solidariedade estar na oposição, cada dirigente estadual terá liberdade para apoiar quem quiser na campanha presidencial. "Esse é um problema dos dirigentes estaduais. Eu não vou interferir", afirmou o futuro presidente da legenda. Calcula-se que até o dia 5, fim do prazo da troca de sigla para a disputa eleitoral, cerca de 30 deputados terão migrado para o Solidariedade. Se o partido conseguir manter a mesma bancada na eleição do ano que vem, Paulinho acha que a legenda terá passado no primeiro teste eleitoral.

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