Estratégia leva Dilma para mais perto da Igreja

BRASÍLIA - Ao visitar o Vaticano para acompanhar a cerimônia de criação de cardeais, a presidente Dilma Rousseff buscou tanto prestigiar o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, quanto aumentar a interlocução do Palácio do Planalto com a Igreja Católica em ano eleitoral.

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h08

Trata-se de um movimento estratégico para levar a um novo nível a relação entre Dilma e a Igreja, pontuada por turbulências desde a campanha eleitoral de 2010. É também oportunidade para surfar na popularidade do papa Francisco.

Dilma não é católica praticante, mas diz ter na Igreja Católica a "sua referência de fé". Em seu gabinete, há três imagens de Nossa Senhora Aparecida.

Para o Planalto, a realização da Jornada Mundial da Juventude, em julho do ano passado, não poderia ter ocorrido em melhor hora. A popularidade de Dilma havia sofrido forte queda - além da vaia na Copa das Confederações. O País vivia ainda a ressaca dos protestos de junho e se acentuavam o pessimismo na economia. Com o papa Francisco, o noticiário desviou de foco, passando a transmitir mensagens de fé, paz e esperança.

"Houve um trabalho muito próximo entre o governo e a Arquidiocese do Rio para preparar a Jornada Mundial da Juventude", disse o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner, para quem, após o evento, houve uma aproximação entre Dilma e o papa. Na campanha eleitoral de 2010, Dilma foi criticada por declarações sobre o aborto e, pressionada, assinou carta em que dizia ser pessoalmente contra a prática.

Segundo fontes diplomáticas e religiosas, não é comum a viagem de presidentes brasileiros para acompanhar o Consistório. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Vaticano duas vezes, mas não acompanhou a cerimônia em que o arcebispo de Aparecida, d. Raymundo Damasceno Assis, foi oficializado cardeal, em 2010, nem em 2007, quando foi a vez do arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer.

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