Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade', diz Bolsonaro

Candidato do PSL na disputa presidencial diz em rádio que quer alguém 'que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares', para o aluno 'aprender química, matemática, português e não sexo'

Cristian Favero e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 13h53

Correções: 10/10/2018 | 12h54

O candidato do PSL ao Palácio do Planalto nas eleições 2018, Jair Bolsonaro afirmou que busca um nome que tenha autoridade para comandar o Ministério da Educação, caso seja eleito na disputa do segundo turno com seu rival, Fernando Haddad (PT). "Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade. Que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares", disse, e emendou: "Para aprender química, matemática, português e não sexo". As falas foram durante entrevista à Rádio Jovem Pan, na tarde desta terça-feira, 09.

Na ocasião, Bolsonaro fez duras críticas ao PT que, segundo ele, tem interesse em manter uma desinformação na sociedade para prendê-las ao Bolsa Família. Mesmo com a crítica, Bolsonaro disse que pretende ampliar esse programa social, mas combater desvios. O candidato também afirmou que costuma ser chamado de extremista, mas que, na verdade, seus oponentes que são. "Os apaixonados pela Venezuela, por Cuba, são eles", disse.

Programa eleitoral

Bolsonaro teve hoje o seu primeiro compromisso externo, após ser alçado ao segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto. Ele está na mansão do empresário Paulo Marinho, suplente de senador eleito pelo Rio, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. O candidato está acompanhado da cúpula da campanha, incluindo o economista Paulo Guedes. Um dos objetivos do encontro é gravar o seu programa eleitoral. Foi de lá que o candidato conversou com a reportagem da Jovem Pan. 

'Ninguém, nem Lula, teve uma votação tão massiva no 1º turno como eu', diz Bolsonaro

Na mesma entrevista, Jair Bolsonaro saiu em defesa de sua candidatura e do apoio popular que recebeu das urnas no primeiro turno. "Ninguém, nem mesmo Lula, teve uma votação tão massiva no primeiro turno como eu", afirmou. O capitão do exército teve 46% dos votos válidos, contra 28,9% dos votos para o petista Fernando Haddad. Os dois disputam o segundo turno no dia 28.

A afirmação de Bolsonaro leva em consideração apenas o número de votos absolutos. No primeiro turno de 2006, em uma disputa com o ex-governador paulista e presidenciável do PSDB derrotado nessas eleições, Geraldo Alckmin, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve perto de liquidar a eleição, com 48,61% dos votos válidos, porcentual acima do que registrou Bolsonaro no último domingo, 07. Isso representou, à época, 46,6 milhões de votos. Em 2018, Bolsonaro obteve 49,2 milhões, o que corresponde a 46,03%. 

Bolsonaro voltou a colocar em xeque a segurança da urnas eletrônicas, citando casos divulgados nas redes sociais com possíveis fraudes. O Tribunal Superior Eleitoral, entretanto, negou a veracidade de muitas dessas denúncias. Mesmo com o questionamento, Bolsonaro afirmou que respeitará o resultado diante de eventual derrota no dia 28. "Vamos respeitar as eleições, mas essas dúvidas precisam ser sanadas", disse.

Na entrevista, o cabeça de chapa do PSL foi questionado sobre a recente afirmação de que "quer acabar com toda a forma de ativismo". Bolsonaro explicou que se referia ao ativismo "xiita". "Vamos botar um ponto final no ativismo xiita, que vive com dinheiro de ONG", disse, acrescentando que o dinheiro público precisa ser respeitado.

Correções
10/10/2018 | 12h54

A primeira versão deste texto afirmava que a declaração de Bolsonaro não condizia com a verdade ao se referir que ninguém teve uma votação massiva como a dele no primeiro turno. Diferentemente do que informou o texto, a afirmação de Bolsonaro é correta se levado em consideração números absolutos (49,2 milhões de votos). Em 2006, Lula obteve menos votos (46,6 milhões), porém o porcentual dos votos válidos do petista foi maior (48,61%, ante os 46,03% obtidos pelo candidato do PSL em 2018 ).

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