Estatal afirma em nota que seu sistema de proteção é seguro

Petrobrás admite, porém, a possibilidade de 'algum tipo de acesso a dados'; ex-dirigentes comentam suspeita de espionagem

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 02h11

A Petrobrás afirmou nesta segunda-feira, 9, usar as melhores práticas do mercado em segurança cibernética para proteção de sua rede, compatíveis com seu plano de negócios e empresas do mesmo porte. Em nota distribuída à imprensa no fim da tarde, a empresa admitiu a possibilidade de "algum tipo de acesso a dados da Petrobrás", mas não comentou se identificou vazamento de informações estratégicas.

"Ataques concorrenciais e outros se tornam cada vez mais complexos, o que continuará a exigir da Petrobrás investimentos permanentes e significativos em tecnologia de proteção a dados e informações", disse.

'Abominável'. O ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli considerou "abominável" o uso de técnicas de espionagem contra a estatal pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). "A simples tentativa de 'hackear' informações da Petrobrás é abominável. Merece resposta enérgica por parte da diplomacia brasileira", disse ele, hoje secretário de Planejamento da Bahia.

Gabrielli disse ser necessário apurar se houve de fato vazamento. "As tentativas de ataque contra a Petrobrás são frequentes, corriqueiras, são milhares delas. Mas o fato de tentarem invadir não significa que houve sucesso", afirmou.

O ex-executivo lembra que, durante sua gestão, houve tentativa, por exemplo, de roubo de imagens submarinas, em área de produção offshore.

Enquanto presidente da Petrobrás, cargo que deixou há um ano e meio, Gabrielli disse que dialogava com a embaixada americana e trocava informações. Esteve, inclusive, com o presidente Barack Obama durante sua gestão, mas disse ser inadmissível a obtenção ilegal de informações estratégicas.

O ex-diretor da Petrobrás e hoje consultor Paulo Roberto Costa disse que a Petrobrás faz sua parte em prevenção e que a resposta deve vir do governo. "Mesmo tomando todas as precauções possíveis, há indícios de que é possível transpor a segurança. Há informações na imprensa de que até dados criptografados são acessados. E aí, como fica?", disse o ex-diretor.

Costa disse ainda que as informações mais sensíveis a espionagem são quanto ao volume de reservas do pré-sal e às tecnologias de águas profundas desenvolvidas e utilizadas pela Petrobrás, que poderiam ser replicadas por outras empresas. O dimensionamento da reserva, diz, desperta interesse por ter potencial para "alterar toda a geopolítica internacional".

Segundo ele, as análises sigilosas da Petrobrás sobre a área de Libra, que vai a leilão no mês que vem, poderiam dar vantagem a um possível concorrente da companhia. "Com certeza, quem tem informações mais detalhadas pode fazer uma oferta mais competitiva", disse o executivo, que deixou a empresa há pouco mais de 1 ano.

Há tempos. O professor da USP e ex-diretor da Petrobrás Ildo Sauer diz que as reservas energéticas de Brasil e México "são monitoradas há tempos" pelos EUA, num esforço do país norte-americano para reduzir a dependência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Querem quebrar a espinha dorsal da Opep", disse Sauer. "Estão em jogo US$ 3 trilhões do excedente econômico gerado pelo petróleo no mundo", completou.

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