Estamos cansados de crises, diz auxiliar de Dilma

Gilberto Carvalho desabafa depois da divulgação de nova denúncia de corrupção, desta vez contra o Ministério do Trabalho, comandado pelo PDT

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2011 | 03h04

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem ao Estado que "já está ficando cansado" de administrar crises envolvendo colegas do primeiro escalão. Ele se referia às notícias de que o PDT montou um esquema de achaque para aprovar convênios firmados entre o Ministério do Trabalho e ONGs. Sua declaração foi feita em tom de desabafo.

"Teremos de ver isso amanhã (hoje). Se bem que o ministro Carlos Lupi (Trabalho) tomou providências imediatas e afastou dois assessores", ponderou Carvalho. Lupi exonerou os dois servidores no sábado, mesmo dia em que circulou a edição da revista Veja com a notícia de que os auxiliares tinham montado um esquema de cobrança de propina contra ONGs que têm convênio com o ministério.

De junho até agora, coube a Gilberto Carvalho negociar a queda de cinco ministros envolvidos em escândalos, que vão desde as suspeitas de enriquecimento ilícito - caso de Antonio Palocci (Casa Civil) - a suposto desvio de dinheiro e cobrança de propinas, que atingiu Alfredo Nascimento (Transportes), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura) e Orlando Silva (Esporte).

Entre as tarefas do ministro Carvalho está a de manter contato com os partidos dos ministros que são obrigados a se afastar. A habilidade dele tem conseguido evitar que as crises levem ao rompimento das legendas com o governo.

Fator PR. A única exceção, até agora, ocorreu com o PR. Apesar do empenho de Carvalho, que ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a lutar pela permanência de Luiz Antonio Pagot na diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), não houve como resolver os problemas. Pagot é filiado ao PR. O ex-ministro Alfredo Nascimento, que teve de sair do Ministério dos Transportes, é o presidente da legenda.

O partido declarou-se independente desde então. Deve voltar à base do governo a partir de hoje, quando participa da reunião dos líderes aliados com a presidente Dilma Rousseff para tratar da votação nesta semana pela Câmara do projeto que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (leia na pág. A7).

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