Estados são contra redução dos federais

Contrários à mudança do modelo estabelecido no Decreto 7.538, que privilegia o poder civil, os secretários estaduais de Segurança preparam manifesto, a ser divulgado hoje, condenando a militarização da segurança pública e defendendo a manutenção da Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos (Sesge) sob o comando do Ministério da Justiça e da Polícia Federal.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h02

"A preocupação das autoridades é quanto ao legado que ficará para a sociedade nesses Estados que sediarão os eventos", afirmou o secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacine, que é delegado da PF e preside o Colégio de Secretários de Segurança dos 27 Estados. Ele teme que, com a transferência do comando e das funções da Sesge para o âmbito da defesa, o País perca a oportunidade de melhorar seu aparato de segurança pública.

Dados levantados pela entidade indicam que as Forças Armadas, treinadas para a guerra e a eliminação de inimigos, não são aptas para a segurança dos cidadãos no dia a dia. "Essa é uma responsabilidade de competência constitucional das polícias militar, civil, federal e rodoviária, que têm equipamento, cultural e pessoal treinado para essas funções", afirmou.

Já o modelo de ação adotado pelos militares é geralmente baseado no uso de recrutas fortemente armados. "Esses conscritos não possuem capacitação para lidar com o público, uma vez que não foram treinados para mediar os conflitos que naturalmente ocorrem em eventos desta natureza", diz um relatório de análise produzido pela PF após a Rio+20.

Diz ainda o informe: "O policial, ao contrário, é preparado para utilizar a força apenas em última instância. Sua capacitação, aliada à experiência da rotina de trabalho faz com que seja tolerante e pacificador, que utilize a negociação como método de atuação".

Por outro prisma, acrescenta, "a imagem causada pela presença de militares nas ruas não é compatível com o momento histórico brasileiro. A solidez das instituições democráticas não se coaduna com a presença de tropas nas ruas, o que mais lembraria países em conflito, o que não é o caso do Brasil". / J.D. e V.M.

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