'Estado' revelou abusos em 2008

Ministra que gastou mais de R$ 170 mil com cartões acabou pedindo demissão do cargo

O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2013 | 02h03

Na reportagem "Gasto com cartão é recorde na gestão Lula" (13/1/2008), o Estado mostrou o aumento de 129% nas despesas com os cartões corporativos do governo em 2007. O valor subiu de R$ 33 milhões, em 2006, para R$ 75,6 milhões. Na lista dos ministros que mais gastaram estava a da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, com R$ 171,5 mil. A ministra pediu demissão do cargo.

Em 31 de janeiro seguinte, o governo anunciou restrição dos saques em dinheiro e a proibição do uso dos cartões para pagamento de viagens e diárias. A reportagem revelou que a maior parte daqueles gastos tinha sido feita com saques.

Em 21 de fevereiro é criada a CPI Mista dos Cartões, com período de investigação desde 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Em março, a CPI esquenta quando surge um planilha produzida na Casa Civil com os gastos do ex-presidente FHC e de sua mulher, Ruth Cardoso. O secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, é apontado pela Polícia Federal como principal suspeito do vazamento. Funcionário do Tribunal de Contas da União, Aparecido foi levado para a Casa Civil pelo ex-titular da pasta, José Dirceu.

Após deixar o cargo, Aparecido depõe à CPI e alega que enviou "por engano" a planilha, e isenta a então ministra Dilma Rousseff e Erenice Guerra, braço direito da titular da Casa Civil. O episódio revelou disputa na pasta entre os grupos de Dirceu e Dilma, como revelou o Estado na reportagem "Vazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa Civil" (11/4).

O dossiê levou à criação de outra CPI, agora no Senado. Em junho, a CPI chega ao fim. Ninguém foi indiciado. O relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), não reconheceu a existência de irregularidades com o uso dos cartões corporativos.

Dilma foi absolvida na Comissão de Ética Pública da Presidência, que arquivou processo sobre o suposto dossiê. Segundo o presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence, Dilma explicou que fez um banco de dados com mais informações que as extraídas e publicadas.

A falta de transparência com cartões corporativos não se restringiu à União. O governo de São Paulo registrou R$ 108,4 milhões em gastos desse tipo em 2007. Quase metade, R$ 48 milhões, era de saques em dinheiro.

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