Esquerdistas vaiam Dilma em visita a Fórum Social

Pequeno grupo de manifestantes do PSOL e do PSTU pedia veto ao Código Florestal

JOÃO DOMINGOS , ENVIADO ESPECIAL / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h04

A presidente Dilma Rousseff enfrentou vaias de um pequeno grupo de militantes do PSOL e do PSTU durante sua estada em Porto Alegre, ontem, para o Fórum Social.

O grupo concentrou-se em frente ao hotel em que a presidente se hospedou, no centro da capital gaúcha. Depois, se dirigiu ao Ginásio Gigantinho, onde Dilma discursou sobre desenvolvimento e sustentabilidade.

Os cerca de 40 manifestantes, que puseram suas faixas por onde Dilma passou, exigiram o veto ao Código Florestal, caso seja aprovado pela Câmara dos Deputados, neste semestre.

Em resposta às críticas que sofreu, principalmente por causa do Código Florestal, Dilma Rousseff disse, durante sua participação no Fórum Social Temático, que está sendo realizado em Porto Alegre, que a Rio+20 deverá indicar o marco do desenvolvimento sustentável que orientará as nações a partir de agora.

A Rio+20 é a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento sustentável. Será realizada no Rio de Janeiro, em junho, 20 anos depois da Rio 92, quando a preocupação com o futuro do planeta começou a ficar mais claro. Diferentemente de outras conferências, como a realizada em Copenhague, em 2009, a Rio+20 tratará do meio ambiente e da inclusão social.

Dilma disse que o preconceito político e ideológico levou à perda de espaço dos países, que aprofundaram o desemprego. "Hoje, as receitas fracassadas estão sendo propostas novamente na Europa", disse ela. "A Rio+20 enfrentará uma questão mais ampla e decisiva. Estará à frente do debate um outro modelo, que envolve questões econômicas, de crescimento e ambientais."

"Ao lado dos objetivos do crescimento do milênio, é preciso estabelecer também os objetivos da sustentabilidade, combate à pobreza e à desigualdade. Crescer, construir, proteger e conservar", afirmou. O que estará em debate, segundo Dilma, é um modelo de desenvolvimento capaz de conciliar o crescimento e a geração de empregos, erradicação da pobreza, uso sustentável e preservação dos recursos ambientais. "Somos o País, de acordo com as Nações Unidas, que mais tem feito para a redução das emissões de poluentes no mundo", disse.

Segundo ela, isso é parte das mudanças dos últimos nove anos, justamente o período que marca o começo do governo do PT, em 2003. "O grande nó que o presidente Lula começou a desatar em 2003 é o do enfrentamento da exclusão social, como mostram os 40 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e ascenderam às classes médias."

A presidente criticou o que chamou de "pensamento único", referindo-se às ideias neoliberais que nortearam os países ocidentais em décadas passadas, e disse que o Brasil não sacrificou sua soberania por causa das pressões das agências de classificação de risco ou de grupos financeiros. "Nossos países não sacrificam a soberania frente às pressões de grupos financeiros ou agências de classificação de riscos", disse ela

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