Esquerda do PT dá guarida a réus do mensalão

Grupo majoritário não coloca Dirceu, Genoino e João Paulo em chapa que disputará o diretório; radicais criticam atitude

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2013 | 02h06

Condenados no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal e sob risco de serem presos neste ano, José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha foram excluídos da chapa de candidatos ao Diretório Nacional formada pela corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB). O gesto provocou protesto de alas mais à esquerda e de 'centro' no PT.

O candidato à presidência do PT Markus Sokol convidou os três para compor sua chapa. "Não é justo o que a CNB fez com eles. Se a Executiva do PT considerou o julgamento do mensalão uma farsa, como agora os exclui da chapa de candidatos?", perguntou Sokol, que integra a corrente de extrema-esquerda O Trabalho. Romênio Pereira, do grupo Movimento PT, também se solidarizou com os réus do mensalão e convidará Genoino para integrar a chapa apresentada pela tendência.

Em artigo publicado no site Brasil 247, o militante do PT Breno Altman, amigo de Dirceu, disse que a exclusão do ex-ministro e dos deputados Genoino e João Paulo da chapa que apoia a reeleição do presidente do PT, Rui Falcão, é "aviltante" e representa uma "bomba de efeito imoral".

"Possivelmente apavorada por pesquisas, a direção dessa corrente capitula diante dos que trataram de manipular fatos e denúncias para desmoralizar o PT. Ilude-se quem considerar que esse gesto pusilânime saciará a fome dos lobos", escreveu Altman, que incluiu o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na sua mira.

"Qual mensagem passa uma corrente que mantém entre seus candidatos uma figura como Paulo Bernardo, alinhado aos monopólios da mídia e empresas de telecomunicações, e afasta José Dirceu, o mais importante dirigente da história do PT? Não é uma ironia que seja preservado personagem que se abraça à direita e sacrificado o principal inimigo do reacionarismo?", atacou Altman.

Em maio, Bernardo pediu a Falcão que corrigisse resolução do diretório com número errado sobre as desonerações concedidas ao setor de telecomunicações. O texto informava que o governo havia retirado impostos de R$ 60 bilhões, quando o valor correto era de R$ 6 bilhões. Bernardo disse, à época, que o PT confundia controle da mídia com investimentos em telecomunicações e foi criticado por colegas petistas.

A eleição que vai escolher a nova cúpula do PT, com voto dos filiados, ocorrerá no dia 10 de novembro. Rui Falcão é o favorito para continuar no comando. Além dele e de Sokol, disputarão a presidência do PT Paulo Teixeira, Renato Simões, Valter Pomar e Serge Goulart. Nove chapas foram inscritas e cada uma apresentará 110 nomes para o diretório.

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