Esquadrilha da Fumaça renova frota

Esquadrão recebeu nesta semana quatro unidades do A-29 Super Tucano; os oito aviões restantes devem ser entregues até junho de 2013

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h03

O primeiro A-29 Super Tucano, novo avião da Esquadrilha da Fumaça, foi formalmente recebido pelo Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) na terça-feira, na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, a 200 quilômetros de São Paulo.

O turboélice de ataque leve está sendo transferido da frota regular da Aeronáutica - no total são 12 unidades. As quatro primeiras foram entregues esta semana. Até junho de 2013, as oito restantes chegarão ao EDA.

O Super Tucano é maior que o T-27 Tucano - modelo de treinamento que a esquadrilha usa há 29 anos -, os dois produzidos pela Embraer. A nova pintura preserva o padrão das cores da Bandeira Nacional - verde, amarelo e azul. No leme, foi acrescentada uma bandeira tremulando. O número de identificação de cada piloto "fumaceiro" aparece na lateral da fuselagem.

O A-29 é destinado às missões de combate, tem mais que o dobro da potência e velocidade significativamente superior à do T-27 "o que, sem dúvida, permitirá novas manobras", explica o comandante do esquadrão, o tenente-coronel Marcelo Gobett Cardoso. São 13 pilotos especializados com o suporte do grupo técnico, Anjos da Guarda, que acompanha as apresentações. Conforme a distância e as facilidades do local do show, o EDA faz o deslocamento com auxílio de um cargueiro C-130 Hércules.

Ainda não há mulheres a bordo. O Comando da Aeronáutica espera que isso vá acontecer no prazo de cinco anos. Em 2010, a te tenente Daniele Lins, uma "caçadora", fez um voo na Fumaça.

O grupo comemorou 60 anos em maio. Durante esse período, esteve desativado de 1977 até 1982. Na média, faz cerca de cem espetáculos por ano. Desde 1952, foram 3.400 - no Brasil e em outros 21 países. O A-29 será usado nas apresentações a partir do ano que vem.

Compatibilidade. Os testes de avaliação do A-29 foram feitos na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte. Havia certa preocupação com a adequação do modelo, maior e mais pesado que o T-27, às necessidades acrobáticas. "Fomos surpreendidos com a compatibilidade. O Super Tucano realiza todas as manobras do ágil 'tucaninho'", disse ao Estado um oficial-aviador.

O problema a ser superado está na estrutura da asa, robustecida no A-29. A Embraer Defesa e Segurança dá apoio ao processo. O desenvolvimento do mecanismo que produz a fumaça característica da equipe foi feito em Natal (RN). Há diferenças técnicas importantes entre os dois modelos. A motorização, por exemplo, emprega o conjunto propulsor de 750 shp no Tucano e outro com 1.600 shp no Super Tucano.

A eletrônica de bordo, mesmo sem todos os recursos destinados a ataque, também é mais avançada. O Super-T, como é conhecido nos Estados Unidos, leva até 1,5 tonelada de bombas inteligentes, mísseis e foguetes diversos.

O Tucano, da Embraer, foi incorporado à Fumaça em 1983. Antes dele, o time voou com o americano T-6, da Segunda Guerra Mundial. Logo depois recebeu o jato francês Fouga Magister, fraco e de pequena autonomia. Os lentos T-25, de formação primária dos alunos da AFA, serviram no esquadrão, até os anos 1980.

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