JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h02

particular

Não obstante a repercussão negativa do mercado, o governo consome em seu universo particular a avaliação de que a MP do setor elétrico atingiu o seu objetivo com a adesão da maioria das empresas ao contrato de renovação antecipada das concessões e de que espetou a oposição eleitoralmente. Apesar da recusa das três estatais - Cemig, Cesp e Copel -, a redução do preço da energia está garantida ainda que à custa do Tesouro e a maior parte dos contratos renovada. A estratégia, agora, é ganhar tempo para a votação no Congresso, que pode ficar para fevereiro, quando a MP perde a validade.

Sem chance

A CPI da CBF que o deputado Romário (PSB-RJ) quer instalar na Câmara dificilmente sairá do papel. Ele tem as assinaturas necessárias, mas vai entrar numa fila de nove outras. E só podem funcionar cinco ao mesmo tempo. O PMDB, partido de Henrique Alves, virtual presidente da Câmara em 2013, não quer ouvir falar do assunto. "Essa CPI inviabiliza a Copa", diz uma liderança do partido.

De volta

Depois de PMDB, PSB, PP e PSD, o próximo partido a conversar com a presidente Dilma Rousseff, ainda antes do Natal, é o PR, cuja bancada soma 36 deputados e seis senadores. Desalojado do Ministério dos Transportes no ano passado, o partido se manteve fiel, apesar das bravatas contra o governo. A pressa, agora, é do Planalto: conta com os votos para a MP do setor elétrico. O PR já disse sim, mas seu poder de barganha estará nos destaques. A MP tem chance de piorar.

Fantasma

Está há 19 meses com o Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o inquérito que investiga o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por supostas fraudes em notas fiscais para justificar renda pessoal e que o fizeram renunciar à presidência do Senado. Comprometido com sua volta ao cargo, o governo teme que o passado bata à porta do senador.

Se a queda dos investimentos é o centro das preocupações do governo, a iniciativa da presidente Dilma Rousseff de reduzir em 20% o custo da energia elétrica ao consumidor final agravou consideravelmente a desconfiança do investidor e, por conseguinte, suas dificuldades para 2013.

O barateamento das tarifas, frustrado em parte pela não adesão das empresas estaduais, foi avaliado dentro e fora do País como um gesto inequívoco de intervencionismo que desconsiderou as regras mais básicas de mercado. Ficou a leitura de que o governo não considera esgotado o papel do marketing que sustentou até aqui a imagem de gestora da presidente.

A segunda parte do mandato de Dilma é decisiva para a preservação de índices de aprovação com os quais conta para sustentar sua campanha pela reeleição. Ainda que os efeitos da queda da economia demorem a chegar ao bolso do eleitor, a entrega de resultados especialmente no campo da infraestrutura tornou-se imperativa.

Para tanto, investimentos são indispensáveis e só chegam pela confiança - a mesma que o Banco Central reconhece abalada. É, pois, curioso que o governo do PT insista no tipo de marketing que vende o produto em falta, no caso a eficiência administrativa.

O intervencionismo e a xenofobia exibidos pela presidente nos últimos dias são adversários dos investimentos e da boa gestão, que se retroalimentam.

A politização do revés no embate com as elétricas estaduais deu o tom de populismo Kirchneriano que faltava para consolidar entre os empreendedores a leitura que já fazem de um governo contra o lucro - mola mestra dos negócios.

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