'Esfinges' indicadas por Dilma dão o tom de seus votos

Bastidores: Felipe Recondo

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h07

As esfinges falaram. Apostas feitas sobre o resultado do julgamento tinham como atrativo duas dúvidas: os votos dos ministro Luiz Fux e Rosa Weber. Ontem, os únicos ministros nomeados pela presidente Dilma Rousseff a cadeiras no Supremo Tribunal Federal foram categóricos ao condenar os cinco primeiros réus e deixaram poucas dúvidas aos advogados e demais ministros.

Rosa Weber, que foi ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), já se mostrava dura no julgamento de processos penais. O convite ao juiz federal Sérgio Moro para auxiliá-la neste caso deu pistas de como votaria. Considerado "linha dura", Moro é especialista em lavagem de dinheiro.

O voto proferido por ela a coloca na lista daqueles que podem condenar os principais réus, incluindo o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. E uma frase específica de seu voto antecipa o que pensa do caso.

"Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação", disse Rosa Weber.

As dúvidas sobre o ministro Luiz Fux acabaram logo no início. Assim como a colega, ele falou sobre flexibilização das provas em casos de "megadelitos". Em casos como esse, argumentou, o juiz deve considerar a prova como uma inferição. "O juiz trabalha com a verdade suficiente", afirmou Fux.

A dúvida que resta agora no Supremo é como votará o decano da Corte, Celso de Mello. À exceção de José Dias Toffoli e do revisor Ricardo Lewandowski, os outros ministros já deram indicação de que podem condenar os principais réus do mensalão.

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