Escolha entre governador e tucano é precoce, diz maioria do MD

'Estado' ouviu os 13 deputados de nova sigla e só 4 manifestaram a preferência; fusão do PPS com PMN ocorreu ontem

FERNANDO GALLO / SÃO PAULO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2013 | 02h04

Dos 13 deputados que compõem a bancada do novo partido Mobilização Democrática (MD) na Câmara, criado ontem às pressas a partir da fusão do PPS com o PMN, oito avaliam ser precoce apontar o candidato que apoiariam na eleição presidencial de 2014 ou dizem estar indefinidos.

Dois parlamentares tendem a apoiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se for mesmo candidato, e outros dois preferem o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Um não respondeu ao levantamento feito ontem pelo Estado.

A correria para criar o MD foi uma forma de evitar os efeitos da lei que veta a novos partidos o acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV. A nova legenda nasce na oposição ao governo federal e já trabalha para a construção de um projeto alternativo para o Brasil em 2014. Será presidida pelo pernambucano Roberto Freire (ex-PPS), que tem laços fortes com o ex-governador José Serra e esbanja simpatia pela candidatura de Eduardo Campos.

"Gostaria de apoiar um candidato nosso. Se for para escolher dos outros, acho que o melhor é o Aécio. Eduardo Campos é o terceiro turno", disse Stepan Nercessian (PPS-RJ). Já o mineiro Humberto Souto (PPS) não tem dúvida: "Meu candidato é o Aécio". Simplício Araújo (PPS-PA) informou, por meio da assessoria, que apoiaria Campos.

"Não abrimos esse debate ainda. Os nomes que estão postos são altamente credenciados para disputar. Temos até a possibilidade de apoiar a Marina", afirmou Arnaldo Jordy (PPS-PA). Como ele, Sandro Alex (PPS-PR), Arnaldo Jardim (PPS-SP), Rubens Bueno (PPS-PR), Carmen Zanotto (PPS-SC), Almeida Lima (PPS-SE), Dr. Carlos Alberto (PMN-RJ) e Jaqueline Roriz (PMN-DF) acham precoce anunciar agora um candidato e defendem um debate interno.

Novos membros. Além dos 13 deputados federais, a nova sigla nasce com 58 estaduais, 147 prefeitos e 2.527 vereadores. São 683.420 filiados em todo o País. A expectativa é de que entrem no mais novo partido alguns parlamentares do PSDB, PSD, PSC e PDT. Um deles poderia ser o senador Pedro Taques (PDT-MT).

"O governo deve ter mais informações do que nós sobre o que esta fusão pode render porque está aperreado; o governo está muito aperreado", disse Freire antes de anunciar a votação do programa, do estatuto e do manifesto da nova legenda.

A criação do novo partido foi rápida e tranquila, mas não evitou protestos de ex-militantes do antigo PCB, partido que foi sucedido pelo PPS.

Partidão. "Nós, do velho PCB, não andamos por atalhos. Por que essa pressa? Só porque o governo vai votar ou já votou (o projeto que veta verbas e tempo de TV a novas siglas)? Você bota uma mancha na sua história", disse o comunista Roberto Percinoto, presidente do PPS do Rio, dirigindo-se a Freire.

Mas, depois do desabafo, Percinoto disse que acataria a decisão partidária e passaria a trabalhar em favor dela.

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