Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Escolha de vice pode tirar Bruno Covas do ‘centro radical’

Campanha pode pender para um dos lados do espectro político a depender de quem for confirmado como vice; ex-prefeita Marta Suplicy é cotada

Pedro Venceslau, Paula Reverbel  e Marcelo Godoy , O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2020 | 05h00

A escolha do candidato a vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição, pode mudar o equilíbrio de forças nas eleições da capital paulistana. Embora Covas já tenha defendido que seu partido deva ser “radical de centro”, sua campanha pode pender para um dos lados do espectro político a depender de quem for confirmado como vice. 

Alguns aliados acreditam que as propostas de Covas o colocam na centro-esquerda. Essa narrativa pode ganhar força se o tucano escolher como vice a ex-prefeita Marta Suplicy (SD). Depois da fracassada reaproximação com o PT, Marta mantém conversas com Covas e com o ex-governador Márcio França (PSB), também pré-candidato à Prefeitura. O Solidariedade não descarta lançar Marta na cabeça de chapa, caso não consiga a aliança. 

Outro possível candidato a vice é o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato derrotado à Prefeitura em 2012 e 2016. O entorno de Covas também discute compor chapa com a senadora Mara Gabrilli ou o ex-deputado Ricardo Tripoli, ambos do PSDB.

A escolha do vice de Covas pode ter impacto em outras candidaturas, segundo o cientista político Carlos Melo, do Insper. Segundo ele, Marta tiraria votos da esquerda ao reivindicar avanços sociais do seu governo, como o Bilhete Único e os CEUs, enquanto Russomanno roubaria eleitores de candidaturas de direita que tentam se deslocar do presidente Jair Bolsonaro.

Por ser o atual prefeito, Covas é o alvo natural na campanha. Além da máquina municipal e o apoio do governador João Doria (PSDB), ele tenta consolidar um amplo tempo de TV. Até o momento, o prefeito tem a maior coalizão, com PSC, Podemos, Cidadania, DEM e PL.

A proximidade entre Covas e Doria deve ser atacada pelo ex-governador Márcio França, pré-candidato pelo PSB. Nas eleições para o governo do Estado há dois anos, França perdeu o segundo turno para Doria. Contando-se apenas eleitores da capital, porém, França teve 58,1% dos votos, contra 41,9% do tucano. 

Com apoio do PDT, França deve mirar o eleitor pragmático de esquerda e manter uma porta aberta para a direita anti-Doria. Ele deve repetir a estratégia já usada em 2018 de se aproximar de policiais militares. Quando foi governador, após Geraldo Alckmin (PSDB) deixar o Palácio dos Bandeirantes para concorrer à Presidência, França criou condecorações para policiais e escolheu uma ex-comandante da PM como sua candidata a vice. 

Ao falar sobre o cenário eleitoral, França diz que a decisão de Marta Suplicy é um dos “principais componentes” de indefinição na campanha. 

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