Entrevista com Rosa Cardoso, coordenadora da Comissão Nacional da Verdade

1. O que a senhora ouviu dos familiares?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

25 Junho 2013 | 02h05

Vieram dizer que estão insatisfeitos e preocupados com os rumos da comissão e o risco de que ela não cumpra seu objetivo. Eles acham que os resultados apresentados até agora são insuficientes. Também trouxeram um documento, para ser encaminhado à presidente Dilma, pedindo uma audiência com ela.

2. Eles reclamam sobretudo do grupo que trata de mortos e desaparecidos.

Eles têm razão. Esse é o grupo mais importante e funciona ainda de forma incipiente. O Claudio Fonteles fazia parte desse grupo e saiu. O José Carlos Dias, que também atua no grupo, me perguntou se eu poderia substituí-lo e eu aceitei. Os trabalhos desse grupo estão muito atrasados, por falta de integração com as vítimas e familiares e também com as comissões da verdade estaduais. Não tem mágica para fazermos descobertas espetaculares e constantes, mas podemos avançar por meio da integração e consolidação das informações que as vítimas detêm e dos documentos que vamos encontrando.

3. Eles também falam em correção dos rumos da comissão.

A comissão precisa mesmo de uma revisão organizativa. Não estou dizendo que não fez nada, mas que podemos fazer correções. A falta de articulação com quem pesquisa o assunto há 40 anos, que são os familiares, tem atrasado nosso trabalho. Qualquer pessoa que trabalha com instituições sabe que precisa fazer revisões permanentemente. Isso é normal.

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