Entidades destacam 'valores éticos e morais' de escolhidos

Instituições que atuam na defesa dos direitos humanos avaliam como positivas e ponderadas as indicações para comissão

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h04

A escolha dos nomes para a Comissão da Verdade pela presidente Dilma Rousseff foi elogiada por entidades que atuam na defesa dos direitos humanos. Na avaliação do secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Leonardo Steiner, a presidente nomeou "um grupo de grande valor ético, moral e de conhecedores da nossa história".

O Instituto Vladimir Herzog cumprimentou a presidente pela escolha dos nomes e, sobretudo, seu esforço para "situar a comissão como órgão de Estado, não de governo, colocando-a dessa forma acima de indivíduos, partidos, governantes e grupos".

Na nota que divulgou sobre o assunto, o instituto disse que essa decisão da presidente Dilma foi reforçada pelo convite aos quatro ex-presidentes vivos dos anos pós-ditadura para que participem da instalação formal da comissão, na quarta-feira.

Para o vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Marcelo Zelic, "as indicações foram ponderadas e garantem uma isenção para a análise de temas tão controversos". Ele observou que, embora a presidente tenha optado por nomes que nem sequer foram aventados durante os processos de consultas, o resultado final foi positivo. "Maria Rita Kehl, por exemplo, foi uma grata surpresa", afirmou. "No geral, formam um bom time para tocar os trabalhos."

Ausência de envolvidos. A Comissão Justiça e Paz de São Paulo, entidade fundada por d. Paulo Evaristo Arns em 1972, enviou carta à presidente cumprimentando-a pelas escolhas. O presidente da organização, o advogado Antonio Funari Filho, elogiou particularmente o fato de não terem sido incluídas na comissão "pessoas que, por ação ou omissão, direta ou indiretamente, através de suas instituições, tivessem tido responsabilidade pelos atos criminosos a serem trazidos à luz".

Entre os nomes escolhidos por Dilma figuram dois ex-integrantes da Comissão Justiça e Paz, que é vinculada à Arquidiocese de São Paulo: o advogado José Carlos Dias e o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro. Os dois fizeram parte do governo de Fernando Henrique Cardoso.

O procurador Marlon Weichert, que atua no grupo do Ministério Público Federal (MPF) que vem tentando reabrir processos contra agentes de Estado envolvidos em casos de sequestro e ocultação de cadáver de prisioneiros políticos, também elogiou a escolha da presidente. Na avaliação dele, "são pessoas que preenchem aos requisitos da comissão, pessoas de idoneidade reconhecida, pessoas que têm uma história de respeito aos direitos humanos".

Weichert foi o nome mais defendido pelos representantes dos familiares de mortos e desaparecidos para integrar a comissão. Ele disse ontem que o trabalho do MPF continuará sendo desenvolvido, paralelamente à atuação da comissão: "O Ministério Público tem suas responsabilidades, que independem da comissão. São órgãos autônomos. O que pode haver é uma colaboração". / COLABOROU LUCAS DE ABREU MAIA

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