Entidade vê ação do tráfico em morte de radialista

A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) emitiu ontem uma nota de repúdio ao assassinato do radialista Laércio de Souza, de 40 anos. Profissional da Rádio Sucesso, de Camaçari, região metropolitana de Salvador, Souza foi morto a tiros no início da tarde da última terça-feira, no bairro Jardim Renato, considerado um dos mais violentos do município vizinho de Simões Filho.

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2012 | 03h08

De acordo com testemunhas, dois homens atiraram em Souza enquanto ele acompanhava obras de construção de um galpão em terreno de sua propriedade. Pelo menos cinco tiros foram disparados, dos quais três atingiram a vítima. O radialista ainda teria tentado correr para uma casa próxima, mas foi alcançado pelos atiradores, que fugiram em seguida.

Segundo agentes da 22.ª Delegacia, Souza vinha sofrendo ameaças, por parte de traficantes de drogas da região, por causa de seus projetos sociais. O radialista, que tinha pretensões políticas - ele seria pré-candidato a vereador do município -, tinha um projeto para recuperação de jovens drogados e planejava distribuir cestas básicas para a comunidade carente da região. O delegado Antônio Fernando do Carmo afirmou já ter suspeitos para o crime.

De acordo com a Associação Internacional de Radiodifusão, "o recrudescimento da violência cometida pelo narcotráfico contra jornalistas em países da América Latina exige enérgica reação das autoridades policiais e judiciais".

"Sempre que o direito à liberdade de imprensa e ao acesso à informação está ameaçado, é a democracia que corre perigo", afirma o texto assinado pelo diretor-presidente da entidade, Héctor Amengual Luis Pardo Sáinz.

Abert. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também emitiu nota sobre o caso, cobrando que o poder público "atue prontamente para o esclarecimento e a punição dos responsáveis" pelo assassinato do radialista.

De acordo com a nota, assinado pelo presidente da entidade, Emanoel Soares Carneiro, "profissionais e veículos de comunicação têm sido alvos cada vez mais frequentes do narcotráfico e do crime organizado".

O texto aponta ainda que é preciso agilidade das autoridades, "sob pena de vermos a liberdade de expressão e de imprensa, princípios vitais à democracia, ameaçada por imposição da violência".

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