Entidade põe Brasil como 5º mais violento para jornalistas

O Brasil ocupa a 5.ª posição entre os locais onde mais se assassinaram jornalistas em 2012, segundo dados divulgados ontem pela Press Emblem Campaign (PEC), entidade com sede na Suíça que se dedica a defender a liberdade de imprensa. A posição do País é a mesma de nações como Somália, onde há uma guerra, e Paquistão, que enfrenta problemas com grupos terroristas.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h06

Segundo o levantamento da PEC, 72 jornalistas foram mortos pelo mundo nos seis primeiros meses do ano, num total de 21 países. O número é 33% acima dos incidentes registrados em 2011.

Esse dado é superior ao divulgado recentemente por outras entidades de defesa da liberdade de imprensa. O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), por exemplo, calcula que 25 profissionais perderam a vida em 2012. A Repórteres Sem Fronteiras registrou 29 assassinatos de jornalistas.

Segundo a PEC, seis jornalistas brasileiros foram mortos desde janeiro - o dobro do que divulgou, em março, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), durante evento da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O assassinato do jornalista maranhense Décio Sá, por exemplo, ocorreu após o evento da SIP.

As mortes de jornalistas brasileiros em 2012 tornaram motivo de preocupação entre entidades internacionais. Não só as associações diretamente ligadas à imprensa, mas a própria Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou essa posição e pediu que as autoridades do País tomem medidas para garantir o exercício da atividade jornalística em segurança. Em declaração recente, a organização alertou que caberia ao governo assegurar que a liberdade de expressão esteja protegida no Brasil e que não basta fazer discursos.

Os números brasileiros ajudaram a transformar a América Latina na região mais perigosa para se trabalhar como jornalistas no mundo, superando até mesmo o Oriente Médio, pelo ranking da PEC. No total, foram 23 mortes na região, com oito no México, quatro em Honduras, duas na Bolívia e uma na Colômbia, Haiti e Panamá. O número de mortes de jornalistas no Brasil supera o de Iraque e Afeganistão, juntos.

No Oriente Médio, foram 22 mortes neste ano. Só na Síria, onde o regime de Bashar Assad conduz uma repressão que já fez 15,8 mil mortos em 16 meses, 20 jornalistas foram assassinados.

O aumento global no número de vítimas ocorre também por conta da intensificação de conflitos internos. Na avaliação do secretário-geral da PEC, Blaise Lempen, se a tendência for mantida, 2012 deve registrar o maior número de mortes de jornalistas de que se tem registro. Em 2011, ocorreram 107 mortes.

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