Entidade critica uso eleitoral de 'kit gay' contra Haddad

Presidente de movimento LGBT diz que ataques a material do Ministério da Educação aumentam preconceito; pastor Malafaia divulga novo vídeo pró-Serra

16 Outubro 2012 | 07h37

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, publicou carta aberta ao candidato José Serra (PSDB) na qual repudia o debate sobre o chamado “kit gay” como “arma eleitoral”. Reis rechaça a afirmação do tucano segundo a qual o material encomendado pelo governo federal quando seu adversário Fernando Haddad (PT) era ministro da Educação tenha objetivo de “doutrinar” a opção bissexual nas escolas.

 

“Prezado José Serra, não manche sua biografia. Não rife nossos direitos”, escreveu Reis. “Peço, para uma boa política comprometida com o respeito (...), que a população LGBT não seja utilizada para gerar polêmica. Isto só serve para validar, banalizar e incentivar a homofobia e manter esta população à margem da cidadania”, completou.

 

Reis afirmou que Serra foi preconceituoso ao classificar o material como “malfeito, com aspectos ridículos e impróprios” numa entrevista publicada no domingo pelo Estado. “O Serra é uma das pessoas que mais fizeram pela comunidade LGBT, fez uma coordenadoria (na Prefeitura). Eu me choquei quando ele falou que alguém doutrina a pessoa. É um preconceito atroz.”

 

Estadual. Nessa segunda-feira, 15, o jornal Folha de S. Paulo revelou em seu site que, em 2009, o governo do Estado de São Paulo, na gestão Serra, distribuiu a professores um guia acompanhado de livros e vídeos de combate à homofobia para promoção de atividades com alunos. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, aliado de Serra, divulgou um vídeo no qual faz críticas pontuais à cartilha paulista, mas sustenta ser “uma afronta à inteligência” comparar os materiais.

 

O tema sobre o chamado “kit gay” voltou à tona na campanha deste ano em meio a alianças de Serra com pastores evangélicos, entre eles Malafaia. Os religiosos rejeitaram apoiar Haddad por causa da criação do material do MEC. O conteúdo foi concebido, a pedido do ministério, por um grupo de empresas e ONGs, que também produziu dois vídeos indicados como material de apoio pelo programa de combate à homofobia do governo do Estado.

 

Candidatos. Nessa segunda, Serra negou que os conteúdos dos kits sejam semelhantes e disse que o fornecido pela secretaria estadual de Educação era voltado ao “fortalecimento da família”. O tucano ressaltou que o conteúdo recomendado pelo guia do governo do Estado era destinado a professores e abordava também preconceitos como o de classe e de religião.

 

“É mentira que é parecido”, disse o candidato tucano. “Não tem nada a ver com o desastrado kit gay, do Fernando Haddad, que custou R$ 800 mil, a Dilma vetou, e não envolve nenhuma medida positiva.”

 

Haddad disse que Serra usa de má-fé e da desinformação como estratégias de campanha. O petista afirmou que Serra mentiu sobre a existência de um kit da secretaria nas escolas estaduais. “Assim como ele mentiu sobre a minha conduta e a da presidente Dilma frente ao episódio, ele mentiu por uma segunda vez.”

 

A campanha de Haddad pretende explorar o kit anti-homofobia do governo do Estado e dizer que Serra reforça preconceitos e usa a religião de forma indevida. / BRUNO LUPION, DÉBORA ALVARES, FELIPE FRAZÃO, FERNANDO GALLO, RICARDO CHAPOLA E VERA ROSA

 

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