Enterro de aliança com PSD abre crise no núcleo de Haddad

Petistas trocam farpas em reunião do Conselho Político; 'É a volta dos que não foram', ironiza pré- candidato sobre Kassab

O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h07

O conselho político criado pelo PT para comandar a pré-campanha do ex-ministro Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo passou a manhã de ontem debatendo as consequências da entrada de José Serra (PSDB) na disputa e trocando farpas sobre o naufrágio da articulação - que contou com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - para atrair o PSD do prefeito Gilberto Kassab ao polo petista. A reunião exacerbou a crise petista sobre qual grupo deve comandar a campanha do ex-ministro.

O Estado apurou que Haddad reagiu com irritação aos alertas sobre as dificuldades da campanha com a entrada de Serra e chegou a propor que o partido negasse oficialmente a existência de tratativas de aliança com Kassab, o que foi rechaçado.

Ao fim da reunião, questionado sobre o enterro da aliança com o PSD, Haddad foi irônico: "É a volta dos que não foram". O ex-ministro afirmou que não se surpreendeu com a entrada de Serra. "Já esperava que isso fosse acontecer." Disse ainda que encara com "naturalidade" ter o tucano como adversário. "Não muda nada. Ele (Serra) vai defender a administração atual e nós vamos apresentar um plano alternativo de mudança."

"Boa parte do conselho já trabalhava com a hipótese de candidatura do Serra e não trabalhava com a hipótese de apoio do Kassab. Em nenhum momento o Kassab procurou o partido formalmente. Foram só conversas com dirigentes do PT", alfinetou o vereador Chico Macena.

Tese nacional. Ainda que os petistas tenham divergências sobre a estratégia de campanha, há um consenso: Serra vai agregar os partidos que fazem oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff e nacionalizar a eleição. A constatação obriga o PT a agilizar a composição de alianças com partidos que integram a base de Dilma. "Temos que convencer os partidos que a disputa em São Paulo, agora, terá um tom nacional", relatou um petista presente à reunião.

O conselho político de Haddad já enfrenta uma primeira crise. A corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), reivindica ter papel mais atuante das decisões de campanha. Até aqui, o diretório municipal do PT, comandado pelo vereador Antonio Donato, tem dado as cartas na pré-campanha.

A atuação de dirigentes municipais foi fortalecida após naufragar a aliança de Kassab (PSD) com o PT, tese defendida por membros das direções nacional e estadual da sigla. "Os que defenderam essa aliança com o Kassab estavam todos cabisbaixos", provocou um dirigente petista.

O deputado estadual Adriano Diogo reagiu às críticas de Haddad sobre a articulação com o PSD e defendeu as negociações do partido até o momento. "A candidatura do Haddad foi uma construção progressista. E o PSDB vem na contramão ao anular quatro pré-candidaturas e um esforço da renovação no partido, impondo uma candidatura do passado, do conservadorismo. Hoje, Serra é muito mais do PSD do que do PSDB", afirmou Diogo. / FAUSTO MACEDO e JOANA MATUSHITA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.