Flavio Bolsonaro/Twitter
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Entenda: médicos comentam nova cirurgia de Jair Bolsonaro

Aderência em órgão pode ocorrer em alguns casos e rápida intervenção em caso de vazamento de conteúdo intestinal reduz risco de infecção

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 14h22

A nova cirurgia a qual o candidato do PSL à Presidência, deputado Jair Bolsonaro, foi submetido nessa quarta-feira, 12, é um procedimento que pode ocorrer em pacientes que sofrem lesões intestinais e apresentam casos de obstrução no órgão, segundo especialistas ouvidos pelo Estado. O presidenciável está internado no Hospital Israelita Albert Einstein para se recuperar de uma facada sofrida em ato de campanha em Juiz de Fora (MG), e teve perfurações nos intestinos grosso e delgado.

Cirurgião-geral especialista em cirurgia minimamente invasiva da Rede D'OR São Luiz, Duarte Miguel Ferreira Rodrigues Ribeiro diz que a formação de aderências é um evento esperado nesses casos e que as equipes médicas estão preparadas para fazer intervenções caso o paciente apresente esse quadro. "É esperado isso e prontamente foi identificada a obstrução intestinal."

Mas os casos de aderência do órgão não são tão comuns, segundo o cirurgião do aparelho digestivo Fabio Atui. "Depois de uma cirurgia maior, pode acontecer de o corpo tentar cicatrizar e se formar uma certa dobra no intestino, fazendo com que o trânsito fique obstruído. Após uma cirurgia, o intestino fica parado, especialmente em cirurgias de emergência com sangramento. Ele se contrai menos e é normal ter distensão", explica.

Quando a cicatrização não é ideal, segundo Atui, é necessária uma abordagem médica para soltar a aderência. "Quando é isso, a evolução costuma ser muito benigna e a recuperação é rápida, mas cada caso é um caso", relativiza. 

De acordo com boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira, 13, a nova intervenção durou duas horas e o paciente evoluiu bem após a cirurgia. Ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda segundo o boletim, houve vazamento do conteúdo intestinal. Ribeiro diz que esse tipo de ocorrência pode oferecer riscos de infecção, caso não seja rapidamente revertida.

"Em casos de várias lesões nessas costuras, uma delas pode arrebentar. Repara-se o dano e a região é lavada exaustivamente. Com os antibióticos, isso minimiza o risco de infecção. Além disso, a área que extravazou tem uma colonização menor de bactérias, ao contrário do reto. A equipe viu e agiu prontamente.".

Sobre a retomada da alimentação, o cirurgião diz que é um procedimento normal voltar a alimentar o paciente quando ele apresenta melhora. "Quanto mais precocemente alimentar o indivíduo, mais rápido ele vai se recuperar. A mucosa intestinal em jejum é muito ruim."

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