Ensino privado: eficiente, mas caro

Levantamento aponta que a diferença entre a mensalidade dessas escolas pode chegar a 186,5%

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 03h00

Quem está buscando a qualidade de educação que o ensino público ainda não atingiu no País e pensa em matricular o filho em uma escola privada de alto nível em São Paulo vai desembolsar, no mínimo, R$ 1.345. Esse é o valor cobrado no 3.º ano do Ensino Médio no Colégio Agostiniano Mendel, nono colocado no Enem de 2012 na capital paulista. A média de valor das dez melhores da capital é de R$ 2.698, sem contar os reajustes para o próximo ano letivo que ainda não foram calculados pelas instituições de ensino.

Um levantamento feito pelo Estado apontou que a diferença entre a mensalidade dessas escolas pode chegar a 186,5%. A mais cara é a primeira no ranking de São Paulo: o colégio Vértice II, em Campo Belo, na zona sul, que custa R$ 3.854.

Comparado à renda da classe média brasileira o preço é exorbitante - a renda per capita varia entre R$ 291 e 1.019 - e quase impagável. Mas para atingir o status de “campeãs no Enem” e conquistar altos índices de aprovação no vestibular essas instituições investem pesado para se diferenciar. A maioria conta com ensino integral, aulas preparatórias para o vestibular, simulados, cursos de língua, parcerias com universidades estrangeiras e professores com alta qualificação.

A médica Eliane Ardengh é mãe de três filhos e todos estudaram no Colégio Bandeirantes, o 4.º no ranking do Enem. O mais novo, Celso, 15 anos, fará vestibular em 2015. “Eu pago caro pela escola, mas se você for pensar em dinheiro seriam vários anos de cursinho para passar na USP. Até agora, nenhum dos meus filhos precisou e isso compensa financeiramente”, disse.

Para o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieesp), parte do alto custo das mensalidades é por culpa dos impostos. “A cada R$ 100 da mensalidade, R$ 46 são em impostos. O pai que escolhe o ensino privado acaba prejudicado por fazer uma escolha para o futuro do filho”, reclamou.

Segundo especialistas, a disparada nos preços do ensino privado é uma tendência mundial devido à expansão do sistema e à necessidade de inclusão de uma nova demanda. “Esse movimento é resultado de uma população disposta a pagar por mais qualidade e também acontece em países como os EUA, China e Índia, que financiam até mesmo suas instituições públicas”, explicou o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Bruno Morche.

Superior. No Ensino Superior, 74% das matrículas estão em instituições privadas, segundo o Censo Escolar de 2013. O financiamento dos estudos surge como solução para o acesso nas faculdades. Nos últimos seis anos, houve crescimento de 1.702% no número de contratos do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal. “O aluno que não se encaixa no Prouni, ou ele opta por financiar o seu curso ou vai ficar de fora do ensino superior”, explicou Morche.

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