Empresas de ônibus levaram 74,4 mil multas até maio

1 em cada 270 partidas é autuada; só o uso de celular por motoristas rendeu 3.982 punições

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2013 | 02h01

A má qualidade do serviço prestado aos usuários do transporte público levou a Prefeitura a aplicar 74,4 mil multas às empresas e às cooperativas que exploram o setor nos primeiros cinco meses do ano. As falhas provocaram descontos de R$ 29 milhões nos repasses dos contratos firmados pelo governo até agora. Mas, apesar de parecer alto, o número de penalidades representa 0,37% do total de viagens feitas em dias úteis no período. Na prática, apenas 1 a cada 270 partidas sofre algum tipo de penalização.

Segundo a empresa municipal São Paulo Transporte (SPTrans), o ranking deste ano aponta o descumprimento do número de partidas programadas como a principal falha. Foram 13.668 multas por irregularidades nos horários. Outras 10.199 punições estão relacionadas a atrasos no intervalo das viagens. Alterar a programação estabelecida para veículos adaptados a pessoas com deficiência também rendeu 6.753 multas de janeiro a maio.

O levantamento ainda mostra que motoristas que dirigem falando ao celular foram responsáveis por pelo menos 3.982 punições neste ano. A lista das cinco principais falhas do sistema é completada pela circulação de ônibus sem cobrador ou auxiliar, responsável por outras 2.667 penalidades.

As linhas operadas por cooperativas da zona sul da cidade são as mais problemáticas, seguidas pelas linhas comandadas pelo consórcio da zona leste, de acordo com o levantamento. Ao todo, a cidade tem 1,3 mil linhas de ônibus, que transportam 6 milhões de pessoas por dia e são fiscalizadas por 705 agentes.

Rotina. Os motivos não são desconhecidos da SPTrans. No ano passado, a empresa aplicou um número ainda maior de multas entre janeiro e maio. Foram 76.520, e praticamente pelos mesmos motivos. A diferença no número de punições, segundo o diretor de gestão da SPTrans, Adauto Farias, é explicado pela troca de governo e pela proximidade do fim dos contratos, que vencem em julho.

"Com a transição, o número de punições caiu em janeiro, o que é normal. Mas o trabalho já está normalizado. Em junho do ano passado, até o dia 20, por exemplo, a arrecadação de multas foi de R$ 3,95 milhões. No mesmo período deste ano, alcançamos R$ 10,5 milhões", disse.

Com a elaboração do novo edital, a SPTrans espera punir com mais rigor o descumprimento de partidas. A ideia, que será debatida com a sociedade, é descontar as falhas automaticamente das empresas, a partir de um porcentual estabelecido em contrato.

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