Filipe Strazzer / Estadão
Filipe Strazzer / Estadão

Empresários do RS pressionam candidatos ao governo por saídas para a crise financeira do Estado

Postulantes ao Palácio Piratini foram questionados durante painel da revista Voto, que discutiu privatizações e Regime de Recuperação Fiscal

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2018 | 18h01

PORTO ALEGRE - Empresários do Rio Grande do Sul pressionaram candidatos ao governo gaúcho por soluções para a crise financeira no Estado, na manhã desta segunda-feira, 3, durante painel organizado pela revista Voto em Porto Alegre. José Ivo Sartori (MDB), que tenta a reeleição, Eduardo Leite (PSDB), Jairo Jorge (PDT) e Mateus Bandeira (Novo) foram questionados sobre temas como o Regime de Recuperação Fiscal e privatizações de estatais.

Com dificuldades para aprovar medidas anticrise na Assembleia Legislativa, Sartori respondeu a  questões sobre maneiras de equilibrar as contas do Estado diante desse cenário no Legislativo. O governador defendeu, principalmente, mudanças na previdência estadual. "Mesmo que tenhamos aprovado a previdência pública complementar, ela vai levar para ter equilíbrio de 25 para 30 anos. Quem quiser se aposentar melhor vai ter que contribuir e o Estado também, com sua parte", disse. Sartori também defendeu a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que permite ajuda federal - e exige como contrapartida privatizar ou federalizar estatais.

O pedetista Jairo Jorge criticou o RRF. Ao ser questionado sobre sua posição acerca do plano, o candidato classificou-o de "proposta de governo, não de Estado". "Não concordo. Fala-se em privatizar para focar em saúde, educação e segurança. Mas, ao mesmo tempo, vêm dizer que tem que assinar o plano de recuperação fiscal, que impede a ampliação do efetivo policial. Que prioridade é essa?", criticou o candidato. Em sua fala, Jairo Jorge também defendeu a renegociação da dívida com a União e o uso dos recursos da Lei Kandir para ajudar sanar as finanças estaduais.

Em seu discurso, o tucano Eduardo Leite defendeu a discussão sobre o financiamento do funcionalismo público do Estado. "Se 80% do custo é folha de pagamento e encargos sociais, não vamos resolver o problema fiscal do Estado apenas discutindo custeio", disse. O candidato prometeu debater, por exemplo, a folha de pagamento, encargos sociais e as licenças prêmio.

Leite também afirmou ser a favor de privatizar estatais, "com responsabilidade". "Precisamos modernizar a gestão, não só para o que isso significa de alívio fiscal para o Estado, é também na modernização do serviço", disse.

Mateus Bandeira também defendeu as privatizações e criticou indiretamente adversários pela não aprovação do plebiscito para a venda das empresas, em 5 de junho. "Houve uma sabotagem. Mesmo os que defendem o Estado à frente das empresas por convicção não deveriam ter interditado o debate, porque tiraram da sociedade o direito de escolher. Já outros partidos fizeram por puro oportunismo eleitoreiro", criticou. A maioria dos deputados estaduais do PDT e do PSDB votou contra o plebiscito na Assembleia. Bandeira se posicionou a favor do RRF, afirmando que, sem isso, "não haverá solução de curto e médio prazo no Estado".

Os candidatos ao governo gaúcho Miguel Rossetto (PT) e Roberto Robaina (PSOL) não foram chamados ao painel Brasil de Ideias. A revista Voto informou que optou por convidar os candidatos com "maior identidade" com seu público leitor.

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