Empresário revela 'favor' para Chalita

Fornecedor de secretaria teria pago serviços em apartamento do então chefe da pasta da Educação

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2013 | 02h07

O ex-sócio de uma companhia de automação disse ao Ministério Público de São Paulo que foi até o apartamento do deputado e então secretário de Educação paulista Gabriel Chalita (PMDB), em 2004, para prestar serviços que haviam sido pagos por uma empresa que tinha contratos com a pasta.

Cesar Valverde apresentou à promotoria uma nota fiscal no valor de R$ 10 mil para a instalação de equipamentos eletrônicos no imóvel do parlamentar. O documento foi emitido em nome da Interactive, firma ligada ao grupo educacional COC. A informação foi divulgada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. Chalita diz desconhecer o pagamento.

Segundo os promotores, o grupo vendeu softwares no valor de R$ 14 milhões ao Fundo de Desenvolvimento da Educação (FDE), do governo paulista, quando Chalita foi secretário, entre 2002 e 2006.

O Ministério Público investiga acusações de que Chalita teria recebido propina e presentes do grupo COC para beneficiar a empresa nos processos de contratação do governo. Os procedimentos foram abertos após denúncias feitas pelo analista de sistemas Roberto Grobman, ex-funcionário da Interactive.

Nota. Valverde disse ao promotor Nadir de Campos Jr. que a empresa Valverde Áudio e Vídeo elaborou o projeto de instalação de equipamentos eletrônicos em 2004, em nome de Márcia Alvim, assessora do ex-secretário. O empresário afirma ter recebido US$ 79.723 em uma conta no Bank of America, dos Estados Unidos, para comprar as máquinas. Em seguida, cobrou ainda um valor de R$ 10.389,76 para a instalação.

A nota fiscal referente à prestação desses serviços, de número 0166, foi emitida em nome da Interactive Sistemas Educacionais Ltda., no dia 21 de outubro de 2004.

E-mails apresentados anteriormente aos promotores revelam que Valverde e seus funcionários entraram em contato com Grobman para cobrar o depósito.

Valverde confirmou ao Ministério Público que o equipamento foi instalado no apartamento de Chalita, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Ele disse que "após a prestação do serviço", foi ao imóvel para dar instruções ao então secretário sobre a operação das máquinas.

"(Valverde) explicou ao professor Chalita todo o mecanismo de funcionamento do sistema de automação implantado no imóvel", relatou a promotoria.

O empresário afirmou ainda que, em 2009, emitiu, em nome de Chalita, um "termo de encerramento de responsabilidade" referente àquela instalação de equipamentos. O documento foi assinado por uma funcionária do deputado, segundo o depoimento.

Valverde afirma que não tem "nenhuma vinculação" com os fatos denunciados por Grobman.

Sigilo. Ontem, os promotores pediram oficialmente ao Ministério da Justiça que solicite às autoridades dos Estados Unidos dados sobre o pagamento que teria sido feito pelo grupo COC a Valverde.

Segundo o delator do caso, o dono do COC teria transferido US$ 79.723 de duas contas no Safra National Bank para uma conta do Bank of America pertencente à Valverde Áudio e Vídeo.

O Ministério Público pede às autoridades americanas a quebra do sigilo das contas de Valverde para tentar rastrear os pagamentos e comprovar que o grupo COC também foi o responsável pela compra dos equipamentos que foram instalados no apartamento de Chalita.

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